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Dois eventos recentes reacenderam o debate sobre as consequências do acesso facilitado à armas de fogo. Nos EUA, o maior massacre da história do país chocou a população. No Brasil, o Senado aprovou semana passada o porte de arma para agentes de trânsito e a proposta de revogar o Estatuto do Desarmamento segue em discussão (Projeto de Lei 3722/2012). Diante da importância e atualidade do tema, e aproveitando que pesquiso o problema da violência, preparei este texto para servir como guia a todos que queiram informações de qualidade e atualizadas sobre a relação entre armas, crime e violência.

Como a vasta maioria das pesquisas sobre esse tema estão em inglês, tomei a liberdade de traduzir os resumos de 48 pesquisas publicadas entre 2013 e outubro de 2017. Espero que com isso aqueles interessados em fazer um debate sério e honesto sobre as evidências disponíveis que temos para falar sobre a relação entre armas e crimes possam ficar menos à mercê de panfletários e textos de opinião mal-fundamentados.

Para quem não quiser acessar o resumo ou os artigos na íntegra, preparei um resumo tão curto quanto consegui fazer a partir do que conclui de todos esses trabalhos. Espero que seja útil para alguém. Caso você seja um pesquisador da área e tenha identificado algum erro em uma tradução ou tenha sentido falta de algum artigo, peço por gentileza que me envie suas críticas e sugestões de adição. Farei o possível para manter essa lista tão boa quanto possível.

    1. Resumo em 9 pontos (tl;dr)
    2. Mapa das referências acadêmicas sobre armas, violência e crimes
      1. Referências internacionais
      2. Referências sobre o Brasil
      3. Critérios de seleção
    3. Dificuldades e problemas gerais no estudo da relação entre armas, violência e crimes
    4. O estudo mais rigoroso até o momento (última atualização: 4/out/2017)
    5. Glossário de termos
    6. O que dizem as revisões de literatura e meta-análises mais recentes
    7. Resumo traduzido de todos os textos 2013-2017, com alguns comentários
      1. Resultados contrários à “Mais Armas, Menos Crimes” (34)
      2. Resultados favoráveis à “Mais Armas, Menos Crimes” (7)
    8. Referências Bibliográficas
      1. Revisões de Literatura e Meta-Análises
      2. Pesquisas brasileiras
      3. Artigos com evidências contrárias à “Mais Armas, Menos Crimes”
      4. Artigos com evidências a favor de “Mais Armas, Menos Crimes”

Resumo (tl;dr)

  1. 90% das Revisões de Literatura são contrárias à tese “Mais Armas, Menos Crimes”. Das 10 revisões de literatura ou meta-análises publicadas em periódicos com revisão por pares entre 2012 e 2017, nove concluíram que a literatura empírica disponível é amplamente favorável à conclusão que a quantidade de armas tem efeito positivo sobre os homicídios, sobre a violência letal e sobre alguns outros tipos de crime.
  2. A grande maioria dos estudos empíricos concluem contrários à tese “Mais Armas, Menos Crimes”. De 2013 até outubro de 2017,  além das revisões de literatura, identifiquei 34 publicações de estudos empíricos com conclusões contrárias à ideia que o aumento do número de armas em circulação diminui a quantidade de crimes. Foram identificadas apenas 7 publicações novas com conclusões favoráveis à alguma versão da hipótese de “Mais Armas, Menos Crimes”, sendo a maioria delas textos de resposta a críticas à trabalhos mais antigos ou textos que já forma criticados posteriormente por publicações mais recentes.
  3. O melhor estudo internacional, mais metodologicamente rigoroso, que temos até o momento é 100% contrário à tese “Mais Armas, Menos Crimes.” A publicação mais rigorosa do ponto de vista metodológico e abrangente do ponto de vista dos dados utilizados é o estudo de Donohue et. al. divulgado em Junho de 2017 e a conclusão do artigo é amplamente favorável à hipótese que mais armas aumentam o número de crimes.
  4. Pesquisas sobre o Brasil também têm em sua grande maioria conclusões contrárias à tese “Mais Armas, Menos Crimes.” As pesquisas voltadas para o caso brasileiro corroboram amplamente com a hipótese do aumento do número de armas estar associado com aumento de crimes e/ou de violência.  Renomados pesquisadores do país sobre causas e consequências do crime assinaram o recente Manifesto à Favor do Estatuto do Desarmamento.
  5. 90% dos especialistas internacionais discordam da afirmação “O porte de armas de fogo por cidadãos normais aumenta a segurança pública.” Uma pesquisa acadêmica obteve respostas sobre a opinião de 109 especialistas sobre uma diversidade de temas relacionados ao problema da relação entre armas e crimes. A grande maioria deles concordou com as principais afirmações sobre o aumento do número de armas causar aumento de crimes e/ou maior violência.
  6. Não temos evidência que o efeito dissuasão das armas de fogo seja algo que as pessoas percebam. O principal argumento teórico por trás da tese de John Lott do “Mais Armas, Menos Crimes” é o argumento da dissuasão: mais civis armados aumentam os custos esperados do crime para potenciais agressores, que portanto cometem menos crimes. Contudo, pesquisa pioneira de Fortunato (2015) mostrou que não parece haver relação entre mudanças na legislação e nas variações de armas em circulação e as percepções do público sobre a quantidade de armas em circulação. O autor conclui que se não há esse vínculo entre armas disponíveis e percepções de maior número de pessoas armadas, é impossível encontrar empiricamente que mais armas é uma forma eficaz de causar a dissuasão de criminosos potenciais.
  7. Intensidade do efeito da maior disponibilidade de armas pode variar por tipo de crime ou por tipo de agressão violenta que se está medindo. Há margem razoavelmente ampla para discutir quais regras de controle de armas são realmente eficazes e sobre quais tipos de crimes e/ou intensidades de uso da violência elas têm efeito. Por exemplo, há mais indícios que mais armas aumentem a proporção de crimes violentos do que mais armas aumentem as taxas de crimes como um todo. Há mais evidências que mais armas aumentem as taxas de crimes que se espera que utilizem armas em maior proporção do que que mais armas aumentem as taxas de crimes que não se espera que utilizem armas. Ou ainda, há mais evidências a favor da eficácia de leis mais rígidas de verificação de antecedentes e de limitar o tamanho dos cartuchos de munição disponíveis do que de leis que proíbam qualquer forma de comércio.
  8. As evidências empíricas deixam de pouca a nenhuma margem para afirmar que “Mais Armas, Menos Crimes”. Não só os estudos em favor da ideia que armas reduzem crimes são em menor número, eles também estão mais desatualizados (John Lott não publica um artigo novo com revisão por pares sobre o tema há sete anos). Certamente não há nenhuma margem empírica para expressar confiança ou menos ainda certeza na tese “Mais Armas, Menos Crimes”.
  9. As evidências são completamente contrárias à afirmação que colocar mais armas em circulação não aumentaria o número de mortes acidentais.  O antigo e até hoje citado estudo de John Lott em defesa de “Mais Armas, Menos Crimes” não se limitou a afirmar apenas sobre a relação entre armas e crimes. Lott afirmou também que não haveria aumento nos danos acidentais causados pelo maior número de armas de fogo em circulação. Essa afirmação não é acessória à tese dele. Ela é indispensável para que qualquer análise de custo/benefício sobre a facilitação do porte de arma possa dar resultados positivos. Contudo, nenhum artigo e nenhuma revisão de literatura chegou nessa conclusão. Pelo contrário, temos evidências fortíssimas que mais armas aumentam o número de mortes acidentais, principalmente acidentes domésticos envolvendo homens jovens, e também aumentam o número de suicídios. Assim, o efeito dos acidentes também corrobora muito para que análises custo/benefício favoreçam proposta de maior controle sobre a disposição das armas de fogo.

Mas ao contrário da maioria dos textos de internet sobre isso, nenhum de vocês caros leitores e leitoras precisa confiar cegamente nas afirmações desse meu resumo. Abaixo vocês encontram detalhados vários outros pontos envolvidos nessas pesquisas e uma tradução dos achados de 51 artigos internacionais sobre o tema. Basta ler e se informar. Caso não confie nem na tradução, está disponível também o link para os artigos originais em inglês. Caso encontre algum erro, peço por gentileza que me avise para que eu o conserte tão rápido quanto possível.

Mapa das referências acadêmicas sobre armas, violência e crimes

Desde 2013, identifiquei 30 pesquisas internacionais publicadas em bons periódicos científicos com processo de peer-review que identificaram efeitos significativos da facilidade de acesso à armas de fogo causar aumento da taxa de crimes. Outras 4 pesquisas adicionais feitas por bons pesquisadores encontram-se em estágio pré-print e ou aguardam revisão por pares ou já aguardam apenas a publicação, sendo textos de qualidade por bons pesquisadores e que já renderam novos estudos e debates. Por oposição, desde 2013 foram encontrados apenas 7 trabalhos argumentando claramente a favor da hipótese “mais armas, menos crimes”, a maioria deles envolvendo o mesmo núcleo próximo de pesquisadores: John Lott, Thomas Marvell e Carlisle Moody. Ademais, 9 das 10 revisões sistemáticas da literatura realizadas sobre o tema desde 2012 favoreceram a conclusão que o acesso mais fácil a armas de fogos tende a aumentar certos tipos de crime. Nos estudos brasileiros, destaco 10 pesquisas publicadas desde 2010 que avaliaram o impacto do Estatuto do Desarmamento. Apenas uma delas, focada na medida de recompra de armas conduzida no Estado do Paraná, não encontrou efeito positivo da menor quantidade de armas sobre os crimes.

Critérios de seleção das pesquisas

  • Como critério de fronteira científica foi dada ampla preferência para estudos publicados nos últimos 5 anos (meados de 2012 até outubro/2017).
  • O foco são os artigos publicados ou em vias de publicação em periódicos acadêmicos de qualidade e com revisão por pares. Livros costumam ser mais desatualizados e raramente passam por revisão por pares, podendo conter muito mais erros.
  • Foi feita uma exceção para dois livros: o livro “The Gun Debate: What Everyone Needs to Know” (2014) de Philip Cook e Kristin Goss, por realizarem uma revisão da literatura didática e serem pesquisadores pessoalmente envolvidos em pesquisas acadêmicas de qualidade sobre o tema; e a terceira edição do livro “More Guns, Less Crimes” (2013) de John  Lott, por ainda ser o trabalho central a que todos os envolvidos com a defesa da hipótese “Mais Armas, Menos Crimes” fazem referência.
  • As referências para pesquisas brasileiras incluíram mais relatórios técnicos, dada a importância das pesquisas em segurança pública realizadas pelo IPEA, em grande parte encabeçadas pelo economista Daniel Cerqueira (FGV).
  • A principal ferramenta de busca utilizada foi o Google Scholar. Foram priorizados os textos que dialogavam diretamente com a hipótese “Mais Armas, Menos Crimes” (“More Guns, Less Crime”) ou que citassem os estudos clássicos mais antigos tanto favoráveis quanto contrários à hipótese de “Mais Armas, Menos Crimes”.

Dificuldades e problemas gerais no estudo da relação entre armas, violência e crimes

O principal problema de comunicação das pesquisas acadêmicas sobre o tema armas e crimes é a dificuldade metodológica necessária a boas pesquisas sobre o assunto. Os crimes, assim como a violência, são fenômenos sociais complexos e multi-causais, de forma que nenhum gráfico ou tabela simples com duas variáveis é capaz de fornecer soluções adequadas. Não se deixe enganar por conclusões fáceis. Nesse caso elas simplesmente não existem.

O que ocorre é que todas as pesquisas sérias na área precisam utilizar um mínimo de métodos estatísticos mais sofisticados, de preferência acompanhados de algumas técnicas de modelagem (que têm melhorado muito nos últimos anos). Isso ajuda a resolver o problema das múltiplas causalidades, mas cria um novo problema que é a incerteza em torno da definição do modelo teórico ou da técnica estatística aplicada. Isso inclusive foi motivo da pesquisa de Durlauf et al. (2016), que avaliou o impacto da incerteza dos modelos sobre as conclusões dos estudos empíricos. Traduzi resumidamente a pesquisa de Durlauf, ela está disponível aqui neste post.

Essas incertezas também levam nós pesquisadores a se orientarem muito mais por pesquisas de escopo nacional ou por unidade federativa do que comparações internacionais. Quanto maior a unidade de análise, menos sensíveis são as mensurações que temos para diversos fatores relevantes que explicam a criminalidade e a violência. Também fica mais difícil controlar os fatores complicantes, como diferentes níveis de educação, cultura, saúde mental, dentre outros.

Dentro dos estudos por país, temos o problema da maioria dos países em desenvolvimento não produzirem dados com a periodicidade e confiança necessária para possibilitar estudos empíricos. Isso leva as boas pesquisas internacionais a focarem em países desenvolvidos, onde o problema da violência e dos crimes é muito menor. Ou seja, a grande maioria dos estudos internacionais de alta qualidade acabam sendo quase todos sobre os Estados Unidos, pois é um dos únicos países com dados confiáveis e amplamente disponíveis que possui um problema bastante grave de violência por armas de fogo.

No Brasil temos em menor escala um problema parecido de concentração de estudos. Há muito mais pesquisas de qualidade sobre o Estado de São Paulo do que sobre outros Estados.

Foi pensando nesses e outros problemas que destaco no tópico abaixo o estudo metodologicamente mais rigoroso que temos disponível. Ter superioridade numérica de pesquisas e da opinião de pesquisadores é importante, porém não podemos ignorar que diferentes pesquisas podem ter diferentes pesos conforme a qualidade destas. No caso da melhor pesquisa que temos disponível, ela inovou ao utilizar os modelos que os próprios pesquisadores que concluíram favoravelmente ao “Mais Armas, Menos Crimes” formularam, mas com uma base de dados maior e mais completa, e chegaram a conclusões frontalmente opostas ao daqueles pesquisadores.

Destaque para o estudo mais rigoroso até o momento

Disponibilizado em versão pré-publicação, o artigo de Donohue et al. (Junho de 2017) é o que temos de mais rigoroso na literatura até o momento. Donohue e seus coautores ampliaram os dados disponíveis para inserir em modelos anteriores não só deles, mas também nos modelos utilizados pelos autores que classicamente defendem a hipótese de “Mais Armas, Menos Crimes”, tais como Lott e Mustard (1997), e Moody e Marvell (2014). Donohue mostra como a inserção de mais anos e observações nos modelos desses autores alteram a direção do impacto que eles mesmos previam. Mesmo nesses modelos, o suposto impacto de redução de crimes causado pelo maior número de armas de fogo disponíveis era altamente dependente de alguns anos da amostra e de Estados americanos específicos, como a Flórida.

Donohue estimou que os crimes violentos aumentaram de 13% a 15% devido à adoção de leis que permitem o porte de arma oculta. Ademais, usando uma estimativa para o efeito das prisões sobre os crimes, Donohue assinala como para compensar esse aumento nos crimes violentos causado pela lei RTC seria necessário duplicar a população carcerária. Você pode ver aqui o resumo em português do artigo de Donohue et al. (2017).

Glossário de termos

  • Lei RTC: Significa “Right to Carry”, ora chamadas também de “shall-issue laws”. É um tipo de legislação nos EUA que obriga os governos a emitirem permissões de porte oculto de arma de fogo a qualquer pessoa que atenda aos critérios exigidos, que podem variar bastante entre Estados. O requerente não precisa demonstrar que necessita da arma. É um dos principais tipos de legislação de facilitação do acesso à armas de fogo que é estudada pela literatura.
  • Lei SYG: Significa “Stand Your Ground”. São leis que garantem que não há um dever de se retirar de uma situação antes de recorrer ao uso de força letal. Não estão limitadas à defesa da sua propriedade.
  • Castle Doctrine: Permite o uso da força letal, mas limitada ao uso na sua propriedade (casa, quintal, espaço de trabalho). Não há o dever de se retirar e a força letal pode ser usada legalmente utilizada contra intrusos na maioria das situações. Alguns estados americanos (Ohio e Missouri, por exemplo) permitem que essa lei se aplique também à defesa de veículos pessoais.

Para saber mais sobre as diferentes leis de regulação de aquisição, porte, comercialização e uso de armas de fogo nos EUA, recomendo o recente artigo citado abaixo que criou uma base de dados com as mais de 133 variações na legislação de porte de armas de fogo nos EUA e criou uma base de dados organizando em quais unidades federativas se aplicam cada uma delas entre 1991 e 2016:

SIEGEL, M. et al. Firearm-Related Laws in All 50 US States, 1991–2016. American Journal of Public Health, v. 107, n. 7, p. 1122–1129, 18 maio 2017.

Revisões de Literatura e Meta-Análises recentes

1. LEE, L. K. et al. Firearm Laws and Firearm Homicides: A Systematic Review. JAMA Internal Medicine, v. 177, n. 1, p. 106–119, 1 jan. 2017.

  • Pontos-chave
  • Pergunta: Quais são os efeitos das leis de armas de fogo sobre homicídios em armas nos Estados Unidos?
  • Resultados: Encontramos evidências de que leis de armas de fogo mais rígidas estão associadas a reduções nas taxas de homicídios por armas de fogo. A evidência mais forte é para leis que reforçam as verificações de antecedentes e que exigem uma autorização para comprar uma arma de fogo. O efeito de muitos outros tipos específicos de leis é incerto, especificamente leis para conter o tráfico de armas, melhorar a segurança infantil, proibir armas de assalto de tipo militar e restringir armas de fogo em locais públicos.
  • Significado: Dada a magnitude e a gravidade dos homicídios de armas de fogo nos Estados Unidos, políticas efetivas jurídicas e de saúde pública e financiamento adequado para permitir pesquisas de alta qualidade são essenciais.
  • Resumo
  • Importância: O homicídio por arma de fogo é uma das principais causas de morte por lesões nos Estados Unidos, e há um debate considerável sobre a eficácia das políticas de armas de fogo. Uma análise da eficácia das leis de armas de fogo sobre o homicídio por arma de fogo é importante para entender políticas ótimas para diminuir o homicídio por armas nos Estados Unidos.
  • Objetivo: Avaliar a associação entre leis de armas de fogo e prevenir homicídios em armas nos Estados Unidos.
  • Revisão de evidências: Avaliamos artigos revisados ​​por pares de 1970 a 2016 com foco na associação entre leis de armas de fogo dos EUA e homicídio por arma de fogo. Buscamos PubMed, CINAHL, Lexis / Nexis, Resumos Sociológicos, Academic Search Premier, Index to Legal Periodicals and Books e as referências dos artigos reunidos. Nós dividimos as leis em 5 categorias: as que (1) restringem o tráfico de armas, (2) fortalecem as verificações de antecedentes, (3) melhoram a segurança infantil, (4) banem armas de assalto de estilo militar e (5) restringem armas de fogo em locais públicos e indulgência no transporte de armas de fogo. Os artigos foram avaliados utilizando o instrumento de coleta de dados dos Serviços Preventivos Comunitários padronizados e 5 métricas de qualidade adicionais: (1) fontes de dados e medidas de resultado apropriadas foram utilizadas para o estudo, (2) o período estudado foi adequados, (3) testes estatísticos apropriados foram utilizados, (4) os resultados analíticos foram robustos e (5) os resultados desagregados das variáveis ​​de controle foram consistentes com a literatura.
  • Conclusões: No agregado, políticas de armas mais fortes foram associadas a taxas reduzidas de homicídio por arma de fogo, mesmo depois de ajustar fatores demográficos e sociológicos. As leis que fortalecem as verificações de antecedentes e a permissão de compra parecem diminuir as taxas de homicídios em armas de fogo. As leis específicas sobre o tráfico de armas de fogo, a melhoria da segurança das crianças ou a proibição de armas de assalto de estilo militar não foram associadas a mudanças nas taxas de homicídios de armas de fogo. A evidência de leis que restringiam as armas nos lugares públicos e a indulgência no transporte de armas foi mista.
  • Conclusões e Relevância: A força da legislação em armas de fogo em geral, e as leis relacionadas ao fortalecimento de verificações de antecedentes e à permissão de compra em particular, estão associadas à redução das taxas de homicídios por armas. Pesquisas de alta qualidade são importantes para avaliar ainda mais a eficácia dessas leis. A legislação é apenas uma parte de uma abordagem multifacetada que será necessária para diminuir os homicídios de armas de fogo nos Estados Unidos.

2. HEMENWAY, D.; NOLAN, E. P. The scientific agreement on firearm issues. Injury Prevention, v. 23, n. 4, p. 221–225, 1 ago. 2017.

  • Resumo
  • Introdução: Ninguém coletou sistematicamente os pontos de vista de pesquisadores de armas de fogo para determinar se e onde existe acordo acerca da evidência científica sobre armas de fogo e violência com armas de fogo.
  • Métodos: Nós enviamos uma breve pesquisa mensal on-line para pesquisadores de armas de fogo. Cada pesquisa solicita aos entrevistados seu nível de concordância com uma declaração sobre armas de fogo, sua classificação da qualidade da evidência científica sobre o problema específico, sua familiaridade com essa literatura e sua área de especialização. Os participantes da pesquisa são os primeiros autores de um artigo de armas de fogo publicado em revista revisada por pares desde 2011. Para as primeiras 15 pesquisas, em média, foram enviadas pesquisas para 322 pesquisadores e 109 pesquisadores responderam (taxa de resposta de 34%).
  • Resultados: Entre os entrevistados, aproximadamente 46% eram pesquisadores de saúde pública e 32% eram sociólogos/criminólogos. Existe um acordo entre os pesquisadores de armas de fogo de que mais armas e leis de armas mais fracas causam sérios problemas de saúde pública, que os custos da disponibilidade de armas são geralmente maiores do que os benefícios e que leis de armas mais fortes podem melhorar a segurança e a saúde pública. 84% dos pesquisadores concordaram, e apenas 8% discordaram da afirmação “nos Estados Unidos, ter uma arma na casa aumenta o risco de suicídio”. Por apenas três declarações, a maioria dos entrevistados classificou a qualidade da evidência científica como forte ou muito forte. No geral, houve um maior nível de concordância entre pesquisadores de saúde pública / medicina do que entre pesquisadores das outras disciplinas.
  • Discussão: As pesquisas de pesquisadores podem fornecer informações úteis sobre o acordo sobre questões específicas e sobre a qualidade da evidência científica.

3. CHALFIN, A.; MCCRARY, J. Criminal deterrence: A review of the literature. Journal of Economic Literature, v. 55, n. 1, p. 5–48, 2017.

  • Resumo: Nós analisamos as pesquisas em economia sobre o efeito da polícia, das punições e do trabalho sobre o crime, com foco especial nas publicações dos últimos vinte anos. As evidências a favor dos efeitos de dissuasão são mistas. Embora existam provas consideráveis de que o crime responde à polícia e à existência de oportunidades atrativas e legítimas no mercado de trabalho, há muito menos evidências de que o crime responde à severidade das sanções criminais. Discutimos instruções frutíferas para pesquisas futuras e implicações para políticas públicas.
  • Comentário Thomas Conti: Embora tenham feito uma revisão ampla da literatura dos últimos 20 anos, os autores não dão qualquer destaque para a hipótese de que o porte de arma poderia ser significativo para dissuadir crimes.
 4. TRACY, M.; BRAGA, A. A.; PAPACHRISTOS, A. V. The Transmission of Gun and Other Weapon-Involved Violence Within Social Networks. Epidemiologic Reviews, v. 38, n. 1, p. 70–86, 1 jan. 2016.
  • Resumo: As lesões fatais e não fatais resultantes da violência armada continuam a ser um problema persistente nos Estados Unidos. As pesquisas disponíveis sugerem que a violência armada difunde-se entre pessoas e lugares mediante redes de relações sociais. Compreender a relação entre a violência armada dentro das redes de relações sociais e o risco individual de violência armada é fundamental na prevenção da propagação da violência armada dentro das populações.
  • Método: Esta revisão sistemática examina as evidências científicas existentes sobre a transmissão de armas e outras violações relacionadas a armas em redes domésticas, íntimas, pares e co-ofensivas. Nossa revisão identificou 16 estudos publicados entre 1996 e 2015 que sugerem que a exposição a uma vítima ou perpetrador de violência nas relações interpessoais e redes de relacionamento sociais aumenta o risco de vitimização e perpetração individual.
  • Conclusões: As análises de rede formal encontram altas concentrações de violência armada em pequenas redes e que a exposição à violência armada em suas redes está altamente correlacionada com a própria probabilidade de ser uma vítima de tiroteio. A violência física por pais e o uso de armas por parceiros íntimos também aumentam o risco de vitimização e perpetração. É necessário um trabalho adicional para caracterizar melhor os mecanismos através dos quais as exposições à rede aumentam o risco individual de violência e avaliam as intervenções destinadas a romper a propagação de armas e outras armas de violência em redes sociais de alto risco.
5. SANTAELLA-TENORIO, J. et al. What Do We Know About the Association Between Firearm Legislation and Firearm-Related Injuries? Epidemiologic Reviews, v. 38, n. 1, p. 140–157, 1 jan. 2016.
  • Resumo: As armas de fogo representam uma proporção substancial de causas externas de morte, lesões e deficiências em todo o mundo. A legislação para regular as armas de fogo foi frequentemente aprovada com a intenção de reduzir os problemas relacionados ao seu uso. No entanto, a falta de clareza em torno de quais intervenções são efetivas continua sendo um grande desafio para o desenvolvimento de políticas.
  • Método: Com o objetivo de enfrentar este desafio, revisamos sistematicamente estudos que exploram as associações entre leis relacionadas a armas de fogo e homicídios com armas de fogo, suicídios e feridos / mortes involuntárias. Restringimos a nossa pesquisa a estudos publicados de 1950 a 2014.
  • Conclusões: Evidências de 130 estudos em 10 países sugerem que em certas nações a implementação simultânea de leis visando múltiplas limitações de armas de fogo está associada a reduções nas mortes por arma de fogo. As leis que restringem a compra (por exemplo, verificações de antecedentes) e o acesso a armas de fogo (por exemplo, armazenamento mais seguro) também estão associadas, respectivamente, a taxas mais baixas de homicídios de parceiros íntimos e mortes não-intencionais de crianças por armas de fogo.
  • Limitações: As limitações de estudos incluem desafios inerentes ao seu design ecológico, sua execução e a falta de robustez dos achados para as especificações do modelo. Uma pesquisa de alta qualidade sobre a associação entre a implementação ou a revogação de legislação sobre armas de fogo (em vez de avaliação de leis existentes) e lesões de armas de fogo levaria a uma melhor compreensão de quais intervenções provavelmente funcionariam em virtude de contextos locais. Esta informação é chave para mover este campo para a frente e para o desenvolvimento de políticas efetivas que possam contrariar o peso que as lesões de armas de fogo representam nas populações.
6. KLECK, G. The Impact of Gun Ownership Rates on Crime Rates: A Methodological Review of the Evidence. Journal of Criminal Justice, v. 43, n. 1, p. 40–48, 1 jan. 2015.
  • Resumo: Este artigo analisa 41 estudos de língua inglesa que testaram a hipótese de que níveis mais elevados de prevalência de armas causam maiores taxas de criminalidade, especialmente taxas mais altas de homicídios. Cada estudo foi avaliado quanto à resolução ou redução de cada um dos três problemas metodológicos críticos: (1) se uma medida valida de prevalência de armas foi usada, (2) se os autores controlaram mais de um punhado de possíveis variáveis ​​de confusão e ( 3) se os pesquisadores usaram procedimentos de ordem causal adequados para lidar com a possibilidade de taxas de criminalidade que afetem as taxas de armas, em vez do contrário. Verificou-se que a maioria dos estudos não resolveu nenhum desses problemas e que as pesquisas que melhoraram o tratamento desses problemas foram menos propensas a apoiar a hipótese de mais-armas-causa-mais crime. De fato, nenhum dos estudos que solucionaram os três problemas apoiou a hipótese. Pesquisas tecnicamente fracas, principalmente, apoiam a hipótese, enquanto pesquisas fortes não. Deve concluir-se de forma provisória que as taxas mais elevadas de colocação de armas não causam maiores taxas de criminalidade, incluindo taxas de homicídio.
  • Comentários Thomas Conti: Esta revisão de literatura é a única com conclusão contrária à de todas as outras revisões de literatura recentes. Destaco a peculiaridade da seleção de artigos que o autor utilizou, não levando em conta trabalhos de autores importantes da área – inclusivo do maior defensor do porte de arma facilitado, John Lott. Os artigos selecionados começam em 1932 e apenas três dos 41 artigos são de 2013-2014. Os artigos de John Donohue, principal crítico de John Lott no debate sobre o impacto da legislação de armamentos, também não são considerados na revisão de Gary Kleck e portanto não são afetados por suas conclusões. Recomendo cautela redobrada em como considerar esses achados, dada a seleção peculiar e antiga de artigos que foram escolhidos para revisão.

7. WEBSTER, D. W.; WINTEMUTE, G. J. Effects of Policies Designed to Keep Firearms from High-Risk Individuals. Annual Review of Public Health, v. 36, n. 1, p. 21–37, 2015.

  • Resumo: Este artigo resume e critica evidências disponíveis de estudos publicados entre 1999 e agosto de 2014 sobre os efeitos de políticas destinadas a manter armas de fogo de indivíduos de alto risco nos Estados Unidos.
  • Resultados: Algumas proibições para indivíduos de alto risco (por exemplo, aqueles sob ordens de restrição devido à violência doméstica ou delitos violentos) e procedimentos para verificação de mais tipos de condições de proibição estão associados a menores taxas de violência. Certas leis destinadas a evitar que as pessoas proibidas acessem armas de fogo – tais como verificação rigorosa de compra, verificações abrangentes de antecedentes, forte regulamentação e supervisão dos negociantes de armas, e exigência que os proprietários de armas denunciem prontamente armas de fogo perdidas ou roubadas – estão associados negativamente ao desvio de armas para criminosos.
  • Limitações: Pesquisas futuras são necessárias para examinar se essas leis restringem a violência não-letal e se os efeitos da expansão das condições de proibição da posse de armas de fogo são modificados pela presença de políticas para evitar o desvio.
8. ANGLEMYER, A.; HORVATH, T.; RUTHERFORD, G. The Accessibility of Firearms and Risk for Suicide and Homicide Victimization Among Household Members: A Systematic Review and Meta-analysis. Annals of Internal Medicine, v. 160, n. 2, p. 101–110, 21 jan. 2014.
  • Resumo: Pesquisas sugerem que o acesso a armas de fogo no lar aumenta o risco de morte violenta. Nosso objetivo é entender as estimativas atuais da associação entre disponibilidade de armas de fogo e suicídio ou homicídio.
  • Método: PubMed, EMBASE, Cochrane Central Register of Controlled Trials e Web of Science foram pesquisados ​​sem limitações e uma pesquisa de literatura “cinza” (working papers) foi realizada em 23 de agosto de 2013. Todos os tipos de estudo que avaliaram o acesso à arma de fogo e os resultados entre participantes com e sem acesso à arma de fogo. Não houve restrições quanto à idade, sexo ou país. Dois autores extraíram os dados independentemente em um formulário de extração de dados padronizado e pré-compilado.
  • Síntese de dados: As razões de probabilidade (RPs) e ICs de 95% foram calculados, embora as estimativas ajustadas publicadas fossem preferencialmente utilizadas. Os efeitos resumidos foram estimados usando modelos de efeitos aleatórios e fixos. Foram explorados possíveis motivos metodológicos para as diferenças de efeitos através de análises de subgrupos. Os dados foram agrupados em 16 estudos observacionais que avaliaram as chances de suicídio ou homicídio, obtendo RPs combinadas de 3,24 (IC 95%, 2,41 a 4,40) e 2,00 (IC, 1,56 a 3,02), respectivamente. Quando foram estudados apenas os estudos que usaram entrevistas para determinar a acessibilidade das armas de fogo, o RP combinado para suicídio foi de 3,14 (IC, 2,29 a 4,43).
  • Limitações: A acessibilidade das armas foi determinada por entrevistas na maioria dos estudos; A classificação errada da acessibilidade pode ter ocorrido. Populações heterogêneas de riscos variáveis ​​foram sintetizadas para estimar as probabilidades de morte acumuladas.
  • Conclusão: O acesso às armas de fogo está associado ao risco de suicídio completo e à vítima de homicídio.
9. STROEBE, W. Firearm possession and violent death: A critical review. Aggression and Violent Behavior, v. 18, n. 6, p. 709–721, 1 nov. 2013.
  • Pontos-chave: Pesquisas sobre a posse de armas de fogo e risco de morte violenta são revistas. Não há evidências para a posição “mais armas, menos crime”. As armas facilitam suicídios ou homicídios e aumentam o risco de morte violenta. É a letalidade da arma que é responsável. A ideia de que as armas servem de função protetora é uma ilusão.
  • Resumo: Este artigo analisa criticamente a pesquisa empírica sobre a associação de posse de armas de fogo com suicídio e homicídio. Tanto o suicídio como o homicídio refletem o comportamento intencional com o objetivo de se matar a si ou outra pessoa. As armas de fogo fornecem apenas um meio de atingir esse objetivo. A posse de uma arma de fogo pode, portanto, não ser uma causa primária de suicídio ou homicídio. No entanto, uma vez que uma característica determinante do suicídio e do homicídio é o sucesso da matança, e uma vez que as armas são meios mais eficazes para atingir esse objetivo do que o veneno ou outras armas, a taxa de posse de armas de fogo pode ser positivamente relacionada às taxas globais de suicídio e homicídio.
  • Método: Esta previsão foi testada com estudos de nível individual e macro-nível. Estudos de nível individual, que normalmente usam modelos de casos e controles, permitem um melhor controle do que os estudos de nível macro dos determinantes culturais, demográficos e econômicos do suicídio e do homicídio. Em estudos de macro-nível, o impacto potencial da posse de armas nas taxas globais provavelmente será confundido pelos fatores que motivam as pessoas a cometer suicídio ou homicídio.
  • Conclusões: Apesar dessas limitações metodológicas, a pesquisa analisada neste artigo apoia a suposição de que o acesso fácil às armas de fogo aumenta o risco de morrer por causas violentas. Com pouca exceção, estudos descobriram que a posse de armas estava relacionada positivamente com suicídios e homicídios relacionados a armas. Além disso, há evidências de que as armas não servem apenas como substitutos de outros meios de matar, mas aumentam as taxas globais de suicídio e homicídio.
10. MAKARIOS, M. D.; PRATT, T. C. The Effectiveness of Policies and Programs That Attempt to Reduce Firearm Violence: A Meta-Analysis. Crime & Delinquency, v. 58, n. 2, p. 222–244, 1 mar. 2012.
  • Resumo: Em resposta ao aumento das taxas de violência de armas de fogo que atingiram o pico em meados da década de 1990, uma ampla gama de intervenções políticas foram desenvolvidas na tentativa de reduzir os crimes violentos cometidos com armas de fogo.
  • Método: Embora algumas dessas abordagens pareçam efetivas na redução da violência armada, as variações metodológicas tornam difícil a comparação de efeitos entre avaliações de programas. Assim, neste artigo, os autores utilizam técnicas meta-analíticas para determinar o que funciona na redução da violência armada.
  • Conclusão: Os resultados indicam que iniciativas abrangentes de aplicação da lei com base na comunidade realizaram o melhor para reduzir a violência armada.

Resumo traduzido de todos os textos (por ordem de publicação)

Resultados contrários à “Mais Armas, Menos Crimes” (34 artigos)

1. MCELROY, M. B.; WANG, W. P. Seemingly Inextricable Dynamic Differences: The Case of Concealed Gun Permit, Violent Crime and State Panel Data. Rochester, NY: Social Science Research Network, 24 jun. 2017. Disponível em: <https://papers.ssrn.com/abstract=2992058>. Acesso em: 4 out. 2017.

 

  • Resumo: Iniciando uma controvérsia que continua até hoje, Lott e Mustard (1997) afirmaram que as chamadas Shall-Issue Laws (SIL) dissuadiram o crime violento. Nesta controvérsia, a ferramenta de escolha para a análise foi o estimador inerentemente estático das diferenças-nas-diferenças (DiD) aplicado aos dados do painel do Estado e do Município que abrangem vários intervalos de tempo. Em contraste, ao contabilizar o comportamento de criminosos violentos contemporâneos ou voltados para o futuro, este artigo utiliza um método inovador, o aparentemente inextricável estimador de diferenças dinâmicas ​​(SIDiD). SIDiD aninha o DiD e produz estimativas imparciais e consistentes no tempo de três efeitos contemporâneos distintos de SIL: o efeito da entrada sobre aqueles elegíveis para entrar, o efeito surpresa sobre criminosos violentos que entraram antes da adoção de SIL e o efeito de seleção sobre criminosos violentos que entraram posteriormente.
  • Resultados: Aplicando nosso novo método aos dados e controles do painel de estado padrão na literatura, nós:
    • (i) estimamos que os três efeitos são robustos, positivos e significativos com a dominância do aumento da entrada resultando em uma população maior de criminosos violentos, mais agitação de dentro e fora da população de crimes violentos e aumento das taxas de criminalidade violenta,
    • (ii) encontramos evidências esmagadoras contra a hipótese de dissuasão de Lott & Mustard (1997),
    • (iii) rejeitamos decisivamente as restrições que reduziriam nossa especificação dinâmica à da DiD estática,
    • (iv) mostramos que os resultados diferentemente diferentes entre Lott & Mustard (1997) e Ayers e Donohue (2003, 2009) decorrem da amostra relativamente curta de pós-tratamento de Lott & Mustard, onde a estimativa de DiD é uma combinação principalmente da entrada e efeito de surpresa, enquanto na amostragem mais longa de tratamento de Ayers & Donohue, a estimativa DiD é uma combinação dos três efeitos. Finalmente,
    • (v) estimamos que, na ausência contrafactual de SIL, a taxa de crimes violentos seria reduzida em um terço.

2. MANSKI, C. F.; PEPPER, J. V. How Do Right-to-Carry Laws Affect Crime Rates? Coping with Ambiguity Using Bounded-Variation Assumptions. The Review of Economics and Statistics, 18 jun. 2017.

  • Resumo: Apesar de dezenas de estudos, pesquisas sobre criminalidade têm lutado para chegar a um consenso sobre o impacto das leis de Direito de Transportar Armas (RTC – Right to Carry). Com isso em mente, formalizamos e aplicamos uma classe de suposições de variação limitada que restringem de forma flexível o grau em que os resultados podem variar ao longo do tempo e do espaço. Usando esses pressupostos, apresentamos análise empírica do efeito das leis RTC sobre crimes violentos e de propriedade em Virginia, Maryland e Illinois.
  • Resultados: Impondo pressupostos específicos que acreditamos dignos de consideração, achamos que as leis do RTC aumentam alguns crimes, diminuem outros crimes e têm efeitos que variam ao longo do tempo para outros.

3. KUKHARSKYY, B.; SEIFFERT, S. Gun violence in the U.S.: Correlates and causes. [s.l.] University of Tübingen Working Papers in Economics and Finance, 2017. Disponível em: <https://www.econstor.eu/handle/10419/152251>. Acesso em: 4 out. 2017.

  • Resumo: Este artigo fornece uma investigação no nível municipal das causas profundas da violência armada nos EUA. Para orientar nossa análise empírica, desenvolvemos um modelo teórico simples que sugere que os crimes relacionados a armas de fogo em um determinado município aumentam com o número de armas ilegais e diminuem com capital social e a intensidade policial.
  • Resultados: Usando dados detalhados do painel do Federal Bureau of Investigation para o período 1986-2014, encontramos evidências empíricas para os efeitos causais das armas ilegais, do capital social e da intensidade policial consistentes com nossas previsões teóricas. Com base em nossa análise, derivamos uma série de recomendações de políticas.

4. KIVISTO, A. J.; RAY, B.; PHALEN, P. L. Firearm Legislation and Fatal Police Shootings in the United States. American Journal of Public Health, v. 107, n. 7, p. 1068–1075, 18 maio 2017.

  • Objetivos: Examinar se uma legislação mais rigorosa sobre armas de fogo está associada a taxas de tiroteios policiais fatais.
  • Métodos: Utilizamos um projeto transversal, de nível estadual, para avaliar o efeito da legislação de armas de nível estadual sobre as taxas de tiroteios policiais fatais de 1º de janeiro de 2015 até 31 de outubro de 2016. Medimos a variação no nível estadual em leis de armas de fogo com pontos de avaliações legislativas do Brady Center, e para tiroteios policiais fatais, usamos The Counted, uma base de dados online mantida pelo The Guardian.
  • Resultados: A legislação de armas de fogo a nível estadual foi significativamente associada a taxas mais baixas de tiroteios policiais fatais (taxa de incidência = 0,961, intervalo de confiança de 95% = 0,939, 0,984). Quando controlamos por fatores sociodemográficos, os estados no quartil superior da força legislativa apresentaram uma taxa de incidência 51% menor que os estados no quartil mais baixo. As leis destinadas a fortalecer as verificações de antecedentes, promover armazenamento seguro e reduzir o tráfico de armas foram associadas a menos tiroteios policiais fatais.
  • Conclusões: As restrições legislativas sobre as armas de fogo estão associadas a reduções nos tiroteios de polícias fatais.
  • Implicações de saúde pública: Embora novas pesquisas sejam necessárias para determinar a causalidade e os mecanismos potenciais, a legislação sobre armas de fogo é uma solução política potencial para reduzir os tiroteios policiais fatais nos Estados Unidos.

5. KHALIL, U. Do more guns lead to more crime? Understanding the role of illegal firearms. Journal of Economic Behavior & Organization, v. 133, n. Supplement C, p. 342–361, 1 jan. 2017.

  • Pontos-Chave: Analiso como os fluxos de armas de fogo ilegais afetam as taxas de criminalidade nos EUA. Utilizo uma nova proxy para armas de fogo ilegais: o número de armas de fogo notificadas como roubadas. Os resultados mostram fortes impactos em homicídios, assaltos agravados e roubos. Vários testes de falsificação não encontraram evidências de correlações espúrias prejudicando as inferências. Potencial de redução de custos de $275,000 por arma de fogo recuperada para cidades de alta criminalidade, como Detroit.
  • Resumo: Usando um conjunto de dados detalhados no nível dos distrito, crio um proxy para fluxos de armas de fogo ilegais: o número de armas de fogo relatadas roubadas em cada jurisdição da polícia e mapeando seus efeitos sobre o crime nos EUA.
  • Resultados: As estimativas mostram um forte impacto positivo do aumento das armas de fogo roubadas, nos trimestres anteriores, em assaltos agravados por armas de fogo, homicídios e roubos no atual trimestre. No entanto, nenhuma relação estatisticamente significativa é estimada entre os fluxos de armas de fogo e as ofensas não relacionadas a armas de fogo, fornecendo um teste de falsificação crucial. Várias outras verificações de robustez, incluindo uma análise de transbordamentos potenciais em fluxos de armas de fogo ilegais, não encontram evidências de uma relação espúria que conduza a esses resultados.

6. FOWLER, K. A. et al. Childhood Firearm Injuries in the United States. Pediatrics, p. e20163486, 19 jun. 2017.

  • Objetivos: Examinar as lesões fatais e não fatais por armas de fogo entre crianças de 0 a 17 anos nos Estados Unidos, incluindo intenções, características demográficas, tendências, padrões estaduais e circunstâncias.
  • Métodos: as lesões fatais foram examinadas usando dados do National Vital Statistics System e lesões não-fatais usando dados do National Electronic Injury Surveillance System. As tendências de 2002 a 2014 foram testadas usando análises de regressão de junção. As características e circunstâncias do incidente foram examinadas usando dados do National Violent Death Reporting System.
  • Resultados: Cerca de 1300 crianças morrem e 5790 são tratadas por ferimentos de bala a cada ano. Meninos, crianças mais velhas e minorias são afetados desproporcionalmente. Embora as mortes não-intencionais por arma de fogo entre crianças tenham diminuído de 2002 a 2014 e os homicídios por armas de fogo diminuíram de 2007 a 2014, os suicídios por armas de fogo diminuíram entre 2002 e 2007 e apresentaram uma tendência ascendente significativa de 2007 a 2014. As taxas de homicídio por arma de fogo entre as crianças são mais altas em muitos Estados do Sul e partes do Centro-Oeste em relação a outras partes do país. Os suicídios por armas de fogo estão mais dispersos nos Estados Unidos, com algumas das maiores taxas ocorridas nos estados ocidentais. Os homicídios com armas de fogo de crianças mais novas ocorreram frequentemente em eventos onde há muitos vítimas e envolveram conflitos familiares ou parceiros íntimos. Crianças mais velhas morreram mais frequentemente no contexto da criminalidade e da violência. Os suicídios por armas de fogo geralmente foram precipitados por problemas situacionais e de relacionamento. O atirador que brincava com uma arma era a circunstância mais comum envolvendo mortes involuntárias de armas de fogo de crianças mais novas e mais velhas.
  • Conclusões: as lesões por armas de fogo são um importante problema de saúde pública, contribuindo substancialmente para a morte prematura e a incapacidade das crianças. Compreender sua natureza e impacto é um primeiro passo para a prevenção.

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7. DONOHUE, J. J.; ANEJA, A.; WEBER, K. D. Right-to-Carry Laws and Violent Crime: A Comprehensive Assessment Using Panel Data and a State-Level Synthetic Controls Analysis. [s.l.] National Bureau of Economic Research, jun. 2017. Disponível em: <http://www.nber.org/papers/w23510>.

  • Resumo: O relatório de 2004 do National Research Council (NRC) sobre Armas de Fogo e Violência reconheceu que o crime violento foi maior no período pós-passagem (relativo aos padrões nacionais de criminalidade) para os Estados que adotaram leis de Direito de Porte (RTC) de arma ocultada, mas, por causa da dependência do modelo, o painel não pôde identificar o verdadeiro efeito causal dessas leis a partir das evidências existentes de dados do painel. Este estudo usa 14 anos adicionais de dados de painel (até 2014) capturando 11 adoções adicionais de RTC e novas técnicas estatísticas para ver se podem surgir conclusões mais convincentes e robustas.
  • Método: A nossa especificação de regressão de dados de painel preferida (o “modelo DAW”) e o modelo Brennan Center (BC), bem como outros modelos estatísticos de Lott e Mustard (LM) e Moody e Marvell (MM) que anteriormente foram oferecidos como evidência de leis de RTC que reduzem o crime [“Mais Armas, Menos Crimes”], agora geram consistentemente estimativas que mostram que as leis do RTC aumentam o crime violento geral e/ou o assassinato quando os modelos são aplicados nos dados mais completos. Em seguida, usamos a abordagem de controle sintético de Alberto Abadie e Javier Gardeazabal (2003) para gerar estimativas específicas do estado do impacto das leis RTC sobre o crime.
  • Resultados: Nossa principal descoberta é que, de acordo com as quatro especificações (DAW, BC, LM e MM), as leis de RTC estão associadas a maiores taxas de crimes violentos agregados e o tamanho dos efeitos deletérios associados à passagem de leis de RTC aumenta ao longo do tempo. Estimamos que a adoção das leis do RTC eleva substancialmente as taxas de criminalidade violenta, mas parece não ter impacto nas taxas de crime contra a propriedade e assassinatos. Dez anos após a adoção das leis do RTC, o crime violento é estimado em 13-15% maior do que seria sem a lei RTC. Ao contrário da configuração de dados do painel, esses resultados não são sensíveis às variáveis ​​incluídas como preditores. A magnitude do aumento estimado dos crimes violentos das leis do RTC é substancial na medida em que, usando uma estimativa de consenso quanto à elasticidade do crime em relação ao encarceramento de .15, a unidade federativa média que adotou leis RTC teria que duplicar sua população prisional para contrariar aumento de crimes violentos induzido pela lei RTC.

8. CHICOINE, L. E. Homicides in Mexico and the expiration of the U.S. federal assault weapons ban: a difference-in-discontinuities approach. Journal of Economic Geography, v. 17, n. 4, p. 825–856, 1 jul. 2017.

  • Resumo: No ano seguinte à expiração da proibição de armas de assalto dos EUA (AWB), a taxa de homicídios no México aumentou pela primeira vez em uma década. Um modelo de diferenças em descontinuidades e um conjunto de dados exclusivo são usados para comparar as descontinuidades geradas pelas próximas eleições de prefeito em ambos os lados da expiração da AWB.
  • Resultado: O modelo encontra um aumento estatisticamente significativo na taxa de homicídios de armas de fogo após o vencimento do AWB. Esse efeito é tanto maior quanto mais perto da fronteira entre os EUA e México, está isolado do momento da expiração e não há evidência de aumento simultâneo de homicídios sem arma de fogo ou outros crimes violentos.

9. MCCLELLAN, C.; TEKIN, E. Stand Your Ground Laws, Homicides, and Injuries. Journal of Human Resources, p. 0613–5723R2, 17 ago. 2016.

  • Resumo: Este artigo examina o impacto das leis Stand Your Ground sobre homicídios e lesões por armas de fogo. Usando dados mensais estaduais e uma estratégia de identificação diferença-diferença, encontramos que essas leis resultam em aumento de homicídios. De acordo com nossas estimativas, pelo menos 30 indivíduos são mortos a cada mês como resultado das leis Stand Your Ground. Além disso, documentamos evidências que sugerem que essas leis também estão associadas a um aumento nas internações relacionadas a lesões infligidas por armas de fogo. Em conjunto, as descobertas neste artigo suscitam sérias dúvidas contra o argumento de que as leis Stand Your Ground aumentam a segurança da população.

10. KLECK, G.; KOVANDZIC, T.; BELLOWS, J. Does Gun Control Reduce Violent Crime? Criminal Justice Review, v. 41, n. 4, p. 488–513, 1 dez. 2016.

  • Resumo: As leis de controle de armas reduzem a violência? Para responder a esta pergunta, uma análise transversal em nível municipal foi realizada em dados pertencentes a todas as cidades dos EUA com uma população de pelo menos 25.000 em 1990 (n = 1.078), avaliando o impacto de 19 tipos principais de leis de controle de armas e controlando os níveis de propriedade das armas e vários outros possíveis fatores de confusão. Os modelos foram estimados usando regressão de variáveis ​​instrumentais (IVs) para responder ao problema da endogeneidade dos níveis de arma devido a causalidade reversa.
  • Resultados: Os resultados indicam que as leis de controle de armas geralmente não mostram evidências de efeitos nas taxas de criminalidade, possivelmente porque os níveis de armas não têm um efeito positivo líquido sobre as taxas de violência. Embora uma minoria de leis pareça mostrar efeitos, eles são tão propensos a implicar efeitos de violência crescente como efeitos de diminuição da violência. No entanto, há algumas exceções notáveis: exigir uma licença para possuir uma arma e proibir as compras de armas por alcoólatras parecem reduzir as taxas de homicídios e roubos. Evidências mais fracas sugerem que a proibição de compras de armas por criminosos e a posse de armas por pessoas mentalmente doentes podem reduzir as taxas de assalto e que as proibições de compra de armas por criminosos também podem reduzir as taxas de roubo.

11. KALESAN, B. et al. Firearm legislation and firearm mortality in the USA: a cross-sectional, state-level study. The Lancet, v. 387, n. 10030, p. 1847–1855, 30 abr. 2016.

  • Resumo: Em um esforço para reduzir as taxas de mortalidade por arma de fogo nos EUA, os estados dos EUA promulgaram uma série de leis de armas de fogo para fortalecer ou desregular a lei federal principal de controle de armas, a Lei Brady. Nós buscamos determinar a associação independente de diferentes leis de armas de fogo com a mortalidade geral por armas de fogo, mortalidade por armas em homicídios e mortalidade por arma de fogo em suicídios em todos os estados dos EUA. Também projetamos a redução potencial da mortalidade por arma de fogo se as três leis de armas de fogo mais fortemente associadas fossem promulgadas no nível federal.
  • Métodos: Nós construímos um conjunto de dados de nível transversal e estadual de 1 de novembro de 2014 a 15 de maio de 2015, usando contagens de mortes relacionadas a armas de fogo em cada estado dos EUA para os anos de 2008 a 2010 (estratificado por intenção [homicídio e suicídio]) do US Centers for Disease Control e Prevention’s Web-based Injury Statistics Query and Reporting System, dados sobre cerca de 25 leis estaduais de armas de fogo implementadas em 2009 e características específicas do estado, como a propriedade de armas de fogo para 2013, taxas de exportação de armas de fogo e taxas de homicídio sem armas de fogo para 2009 e taxas de desemprego para 2010. Nossa principal medida de resultado foi a mortalidade global relacionada a armas de fogo por 100.000 pessoas nos EUA em 2010. Usamos regressão de Poisson com variações robustas para derivar índices de taxa de incidência (IRRs) e ICs de 95%.
  • Resultados: 31.672 mortes relacionadas a armas de fogo ocorreram em 2010 nos EUA (10,1 por 100.000 pessoas, contagem média específica por estado de 631,5 [SD 629,1]). Das 25 leis de armas de fogo, nove foram associadas à redução da mortalidade por arma de fogo, nove estavam associadas ao aumento da mortalidade por arma de fogo e sete apresentaram associação inconclusiva. Após o ajuste para as variáveis ​​relevantes, as três leis estaduais mais fortemente associadas à redução da mortalidade geral por armas de fogo foram verificações de antecedentes universais para a compra de armas de fogo (IRR 0,39 multivariável [IC 95% 0,23-0,67]; p = 0,001) , verificações de antecedentes de munição (0,18 [0,09-0,36]; p <0,0001) e requisito de identificação para obter armas de fogo (0,16 [0,09-0,29]; p <0,0001) . A implementação projetada do nível federal de verificações universais de antecedentes para a compra de armas de fogo poderia reduzir a mortalidade por arma de fogo nacional de 10,35 a 4,46 pessoas para cada 100.000 pessoas, as verificações de antecedentes para a compra de munições poderiam reduzi-lo para 1,99 para cada 100.000 e a identificação de armas de fogo para 1,81 para cada 100.000.
  • Interpretação: Poucas leis de armas de armas de fogo por estado estão associadas à redução da mortalidade por arma de fogo, e essas evidências ressaltam a importância de se concentrar na legislação relevante e efetiva sobre armas de fogo. A implementação de verificações universais de antecedentes para a compra de armas de fogo ou munições e a identificação de armas de fogo a nível nacional poderiam reduzir substancialmente a mortalidade por arma de fogo nos EUA.

12. HEMENWAY, D. Firearm legislation and mortality in the USA. The Lancet, v. 387, n. 10030, p. 1796–1797, 30 abr. 2016.

  • Resumo: A nível internacional, os EUA têm, de longe, o pior problema de lesões por armas de fogo entre os 24 países de alta renda membros da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Embora os EUA tenham taxas de criminalidade não-relacionadas a armas de fogo que são semelhantes a essas nações, os EUA têm taxas muito maiores de mortes não intencionais por armas de fogo, suicídios por armas de fogo, crimes por armas de fogo, homicídios por armas de fogo e homicídios em geral. Por exemplo, os resultados de 2010 mostram que os EUA têm uma taxa de homicídios por arma de fogo 25 vezes maior na comparação com outros países de alta renda.

13. GRINSHTEYN, E.; HEMENWAY, D. Violent Death Rates: The US Compared with Other High-income OECD Countries, 2010. The American Journal of Medicine, v. 129, n. 3, p. 266–273, 1 mar. 2016.

  • Problema: Mortes violentas são um problema sério nos Estados Unidos. Pesquisas anteriores que mostram as taxas de mortalidade violenta dos EUA em comparação com outros países de alta renda utilizaram dados com mais de uma década de idade.
  • Métodos: Examinamos dados de mortalidade de 2010 obtidos da Organização Mundial de Saúde para países populosos e de alta renda (n = 23). As taxas de mortalidade por 100.000 habitantes foram calculadas para cada país e para a agregação de todos os países não-americanos em geral e por idade e sexo. Testes de significância foram realizados usando regressões de Poisson e regressões binomiais negativas.
  • Resultados: As taxas de homicídio nos EUA foram 7,0 vezes maiores do que em outros países de alta renda, impulsionados por uma taxa de homicídio por arma de fogo que foi 25,2 vezes maior. Para os jovens de 15 a 24 anos, a taxa de homicídios por armas de fogo nos Estados Unidos foi 49,0 vezes maior. As taxas de suicídio relacionadas a armas de fogo foram 8,0 vezes maiores nos Estados Unidos, mas as taxas gerais de suicídio ficaram na média. As mortes não intencionais foram 6,2 vezes mais altas nos Estados Unidos. A taxa global de morte por armas de fogo nos Estados Unidos por todas as causas foi 10,0 vezes maior. 90% das mulheres, 91% das crianças de 0 a 14 anos, 92% dos jovens de 15 a 24 anos e 82% de todas as pessoas mortas por armas de fogo eram dos Estados Unidos.
  • Conclusões: Os Estados Unidos têm um enorme problema com armas de fogo em comparação com outros países de alta renda, com taxas mais altas de homicídios e suicídios relacionados a armas de fogo. Em comparação com as estimativas de 2003, a taxa de mortalidade das armas nos EUA permanece inalterada, enquanto as taxas de mortalidade em armas em outros países diminuíram. Assim, as já altas taxas relativas de homicídio por arma de fogo, suicídio por arma de fogo e morte involuntária por armas de fogo nos Estados Unidos em comparação com outros países de alta renda aumentaram entre 2003 e 2010.

14. DURLAUF, S. N.; NAVARRO, S.; RIVERS, D. A. Model uncertainty and the effect of shall-issue right-to-carry laws on crime. European Economic Review, Model Uncertainty in Economics. v. 81, p. 32–67, 1 jan. 2016.

  • Resumo: Neste artigo, exploramos o papel da incerteza dos modelos ao explicar as diferentes descobertas na literatura sobre o efeito das leis de emissão de porte oculto de arma (RTC) sobre o crime. Em particular, examinamos sistematicamente como os diferentes pressupostos de modelagem afetam os resultados.
  • Resultados: Nós encontramos pouco suporte para alguns pressupostos amplamente utilizados na literatura (por exemplo, pesos populacionais), mas achamos que permitir que o efeito da lei seja heterogêneo tanto nos municípios quanto ao longo do tempo é importante para explicar os padrões observados de crime. Em termos de incerteza do modelo, descobrimos que existe uma variação substancial nos efeitos estimados para cada modelo em todas as dimensões do espaço do modelo. Isso sugere que se deve ter cuidado ao usar os resultados de qualquer modelo específico para informar as decisões políticas.

15. CARTER, J. G.; BINDER, M. Firearm Violence and Effects on Concealed Gun Carrying: Large Debate and Small Effects. Journal of Interpersonal Violence, 24 fev. 2016.

  • Resumo: Pesquisa ainda não identificaram uma relação preditiva entre o crime e a emissão agregada de permissões de porte de armas. O presente estudo examina se existe uma relação de nível macro entre as requisições e autorizações para o porte de armas ocultas (RTC) e crimes violentos cometidos com uma arma de fogo.
  • Método: Os dados do nível de condado de Florida para aplicações de porte oculto e crime violento são combinados com variáveis ​​de efetivos policiais, socioeconômicas, políticas e de subtipos de armas em dois períodos temporais usando modelos de efeitos fixos por município e ano. As regressões binomiais negativas não padronizadas são empregadas com múltiplas especificações de modelos alternativos e testes de diagnóstico.
  • Resultados: Os achados indicam uma associação positiva entre o crime, especialmente aqueles cometidos com uma arma de fogo, e aplicações e autorizações de licenças ocultas de transporte (RTC). O tamanho do efeito das requisições e licenças ocultas de porte de arma sobre o crime violento por arma de fogo é mínimo. Existe uma ligação demonstrável entre a violência de armas de fogo e requisições de licenças de transporte oculto emitidas, mesmo levando em conta o efeito líquido de todas as outras variáveis Os achados devem ser ponderados pelo tamanho mínimo dos efeitos.

16. BLAU, B. M.; GORRY, D. H.; WADE, C. Guns, laws and public shootings in the United States. Applied Economics, v. 48, n. 49, p. 4732–4746, 20 out. 2016.

  • Resumo: Desde o final da década de 1990, houve um número crescente de tiroteios públicos realizados com armas de fogo nos Estados Unidos. Essas tragédias renovam continuamente o debate regulatório sobre a segurança pública, considerando as liberdades civis.
  • Método: Usando um conjunto de dados exclusivo, investigamos se as leis correspondem à probabilidade de um evento desses ocorrer e se há efeito sobre as características específicas do evento em resultados de tiroteios públicos. Em particular, analisamos como as leis de armas específicas de cada estado, os tipos de armas de fogo, os locais de filmagem e a saúde mental do atirador impactam nos resultados dos tiroteios públicos.
  • Resultados: Os resultados mostram que a maioria das leis de porte de armas não tem relação com a ocorrência de um evento. Além disso, as leis comuns estatais e federais de armas de fogo que proíbem as armas de assalto não estão relacionadas com a probabilidade de uma arma de assalto ser usada durante um evento de tiroteio ao público. Além disso, os resultados mostram que o uso de armas de assalto não está relacionado a mais vítimas ou fatalidades do que outros tipos de armas. No entanto, o uso de armas leves, armas de tiro e cartuchos de munição de alta capacidade estão diretamente relacionados ao maior número de vítimas e mortes em um evento de tiroteio público. Finalmente, a doença mental relatada pelo atirador é frequentemente associada a um aumento no número de vítimas e fatalidades.

17. TAYLOR, B.; LI, J. Do fewer guns lead to less crime? Evidence from Australia. International Review of Law and Economics, v. 42, n. Supplement C, p. 72–78, 1 jun. 2015.

  • Resumo: O National Firearms Agreement (NFA) de 1996 na Austrália introduziu leis rígidas de controle de armas e facilitou a recompra de mais de 650 mil armas de fogo. Embora vários estudos tenham investigado o efeito da NFA sobre as mortes por armas de fogo, nenhum deles analisou seu impacto nos crimes. Neste artigo, adotamos a abordagem de identificação diferenças-em-diferenças para examinar os impactos da NFA sobre crimes. Nós encontramos que um e dois anos após a promulgação da NFA, houve diminuição significativa nos assaltos à mão armada e nas tentativas de homicídio se comparadas com a incidência de abuso sexual, com evidências mais fracas em relação ao roubo desarmado.

18. SWEDLER, D. I. et al. Firearm Prevalence and Homicides of Law Enforcement Officers in the United States. American Journal of Public Health, v. 105, n. 10, p. 2042–2048, 13 ago. 2015.

  • Objetivos: Nos Estados Unidos, a propriedade de armas de fogo por estados tem sido correlacionada com as taxas de homicídios. Mais de 90% dos homicídios de agentes da lei (Law Enforcement Officers – LEOs) são cometidos com armas de fogo. Examinamos a relação entre taxas de propriedade de armas de fogo por estado e as taxas de homicídio de agentes da segurança pública (LEOs).
  • Métodos: Obtivemos o número de LEOs mortos de 1996 a 2010 de um banco de dados do Federal Bureau of Investigation (FBI). Calculamos as taxas de homicídios por estado e o número de oficiais mortos relativos ao número de LEOs por estado, obtidos de outra base de dados do FBI. Obtivemos a propriedade média da arma de fogo doméstica para cada estado a partir do Behavioral Risk Factor Surveillance System.
  • Resultados: Usando a regressão de Poisson e controlando os fatores conhecidos por afetar as taxas de homicídio, associamos a propriedade de armas de fogo com as taxas de homicídio para LEOs (taxa de incidência = 1,044; P = 0,005); nossos resultados foram corroborados por análises de sensibilidade longitudinal e transversal. As taxas de homicídio de LEOs foram três vezes maiores em estados com elevado número de propriedade de armas em comparação com estados com baixa propriedade de armas.
  • Conclusões: O elevado número de armas disponíveis ao público é um risco para a mortalidade ocupacional de LEOs nos Estados Unidos. Os Estados poderiam considerar métodos para reduzir a propriedade de armas de fogo como forma de reduzir a morte de profissionais de segurança pública.

19. HEMENWAY, D.; SOLNICK, S. J. The epidemiology of self-defense gun use: Evidence from the National Crime Victimization Surveys 2007–2011. Preventive Medicine, Special Issue on the Epidemiology and Prevention of Gun Violence. v. 79, n. Supplement C, p. 22–27, 1 out. 2015.

  • Resumo: Os dados provêm do National Crime Victimization Survey 2007-2011. O uso de armas em auto-defesa (SDGU – Self Defense Gun Use) ocorre em menos de 1% dos crimes de contato. Os homens e os moradores rurais são mais propensos a usar uma arma em autodefesa. A SDGU não está associada a um risco reduzido de lesão da vítima. A auto-defesa com qualquer arma está associada a um risco reduzido de perda de propriedade.
  • Objetivos: Descrever a epidemiologia do uso de armas de autodefesa (SDGU) e a eficácia relativa da SDGU na prevenção de ferimentos e perda de propriedade.
  • Métodos: Os dados provêm do National Crime Victimization Survey para 2007-2011, com foco nos crimes com contato pessoal. Para perda de propriedade, examinamos incidentes onde a intenção era roubar propriedade. Análises multivariadas controladas quanto à idade, gênero do infractor e vítima, se o agressor tem uma arma, taxa de urbanização e treze tipos de ação autoprotetora.
  • Resultados: Dos mais de 14.000 incidentes em que a vítima estava presente, 127 (0,9%) envolveram uma SDGU. A SDGU era mais comum entre os homens, nas áreas rurais, longe de casa, contra os infratores masculinos e contra os infratores com uma arma. Após qualquer ação protetora, 4,2% das vítimas foram feridas; Após SDGU, 4,1% das vítimas foram feridas. Em crimes de propriedade, 55,9% das vítimas que tomaram ações de proteção perderam propriedade, ante 38,5% de vítimas de SDGU perderam propriedade e 34,9% de vítimas que usaram outro tipo de arma que não uma arma de fogo perderam propriedade.
  • Conclusões: Em comparação com outras ações de proteção, as Pesquisas Nacionais de Vitimização por Crime (National Crime Victimization Surveys) fornecem pouca evidência de que a SDGU é excepcionalmente benéfica na redução da probabilidade de lesão ou perda de propriedade.

20. GIUS, M. The effects of state and federal background checks on state-level gun-related murder rates. Applied Economics, v. 47, n. 38, p. 4090–4101, 15 ago. 2015.

  • Resumo: O objetivo do presente estudo foi determinar se as verificações de antecedentes para obter o porte de armas de fogo estão significativamente relacionadas às taxas de homicídios por armas de fogo.
  • Método: O presente estudo difere da pesquisa anterior de várias maneiras. Primeiro, um grande conjunto de dados longitudinais é usado; Os dados para 50 estados para o período 1980-2011 são examinados. Em segundo lugar, os efeitos das verificações de antecedentes federais e estaduais, incluindo as verificações de antecedentes de vendas privadas com mandato estatal, são estimados. Finalmente, é usado um modelo de efeitos fixos que controla tanto os efeitos por estado quanto os efeitos específicos do ano.
  • Resultados: Os resultados sugerem que os estados que exigem verificações de antecedentes do revendedor têm taxas de assassinato relacionadas com armas mais baixas do que outros estados. Além disso, após a implementação do Ato Brady, as taxas de homicídios relacionadas a armas caíram. No entanto, os resultados também sugerem que, para todo o período em questão, os estados com verificações privada de antecedentes tiveram taxas de homicídio por armas de fogo mais elevadas do que estados sem verificações de antecedentes. Caso só se olhe para o período da Lei Brady, no entanto, a variável de seleção de antecedentes de vendas privadas é insignificante. Esses resultados para verificações de antecedentes de vendas privadas são novos e contrários aos resultados de pesquisas anteriores nesta área.

21. FORTUNATO, D. Can Easing Concealed Carry Deter Crime?. Social Science Quarterly, v. 96, n. 4, p. 1071–1085, 1 dez. 2015.

  • Objetivo: As leis que reduzem os obstáculos ao porte legal de armas de fogo ocultas são discutidas para verificar se há efeito dissuasivo sobre o crime, aumentando os custos percebidos. Este argumento baseia-se no pressuposto de que essas políticas aumentarão, direta ou indiretamente, a distribuição percebida de portadores de armas de fogo, uma suposição ainda não testada. Este artigo testa essa suposição e, ao fazê-lo, sugere testar as condições necessárias da política pode ser útil quando a avaliação dos resultados é difícil.
  • Métodos: Foram coletados dados de pesquisa sobre o número percebido de portadores de armas de fogo nos Estados Unidos e, em seguida, utilizado um modelo de regressão hierárquica para avaliar o impacto de políticas de porte de armas escondidas nessas percepções, controlando vários fatores contextuais e de nível individual.
  • Resultados: Os dados sugerem que não existe uma relação estatisticamente discernível entre as políticas de porte oculto de armas e as percepções do público sobre o número de portadores de armas de fogo. De fato, os dados sugerem que a densidade percebida dos portadores de armas de fogo também não está correlacionada com o número de transportadores ocultos ativos.
  • Conclusão: A relação entre a política de porte oculto de armas de fogo e as crenças das pessoas sobre o número de transportadores de armas de fogo em sua comunidade não é identificável nos dados. No entanto, o raciocínio por trás do argumento da dissuasão causada pelo porte oculto de armas depende da existência desse vínculo: o argumento assume que potenciais agressores estão conscientes da distribuição de portadores de armas de fogo na potencial população vítima, mas a evidência empírica aqui apresentada sugere que essa suposição simplesmente não é válida. Como as crenças sobre a distribuição de portadores de armas de fogo são impermeáveis ​​à políticas mais permissivas ao porte de armas de fogo e não respondem positivamente à verdadeira distribuição de portadores de armas de fogo, os dados sugerem que facilitar o transporte oculto é uma medida incapaz de impedir crimes.

22. WEBSTER, D.; CRIFASI, C. K.; VERNICK, J. S. Effects of the Repeal of Missouri’s Handgun Purchaser Licensing Law on Homicides. Journal of Urban Health, v. 91, n. 2, p. 293–302, 1 abr. 2014.

  • Resumo: Nos EUA, o homicídio é uma das principais causas de morte para jovens do sexo masculino e uma grande causa de disparidades raciais na expectativa de vida para homens. Há um debate intenso e pouca pesquisa rigorosa sobre os efeitos da regulamentação das vendas de armas nos homicídios.
  • Método: Este estudo estima o impacto da revogação da lei de permissão para compra (PTP) do Missouri em 2007  sobre as taxas de homicídios dos estados, controlando por mudanças na pobreza, desemprego, crime, encarceramento, níveis policiais e outras políticas que poderiam potencialmente afetar homicídios .
  • Resultados: Usando dados de certificados de óbito disponíveis até 2010, a revogação da lei PTP do Missouri foi associada a um aumento nas taxas anuais de homicídios por armas de fogo de 1,09 para cada 100.000 habitantes (aumento de +23%), mas não esteve relacionada às mudanças nas taxas de homicídios cometidos sem armas de fogo. Usando dados de relatórios policiais do Uniform Crime Reporting da polícia até 2012, a revogação da lei foi associada ao aumento das taxas anuais de assassinatos de 0,93 por 100 mil (+16%). Esses efeitos estimados se traduzem em aumentos de 55 a 63 homicídios por ano no Missouri.

23. SIEGEL, M. et al. The Relationship Between Gun Ownership and Stranger and Nonstranger Firearm Homicide Rates in the United States, 1981–2010. American Journal of Public Health, v. 104, n. 10, p. 1912–1919, 14 ago. 2014.

  • Objetivos: Examinamos a relação entre a propriedade de armas de fogo e as taxas de homicídio por pessoas conhecidas e por estranhos.
  • Métodos: Usando dados do Supplemental Homicide Reports of the Federal Bureau of Investigation’s Uniform Crime Reports para todos os 50 estados de 1981 a 2010, modelamos taxas de homicídio por conhecidos e por estranhos como uma função da propriedade de armas a nível estadual, medida por uma proxy, controlando por potenciais fatores de confusão. Utilizamos um modelo de regressão binomial negativo com efeitos fixos para o ano, representando o agrupamento de observações entre estados usando equações de estimativas generalizadas.
  • Resultados: Não encontramos uma correlação robusta, estatisticamente significante entre a propriedade da arma e as taxas de homicídio de armas de fogo por estranhos. No entanto, encontramos uma associação positiva e significativa entre a propriedade de armas e as taxas de homicídios cometidos por pessoas conhecidas. A razão da taxa de incidência para a taxa de homicídio de arma de fogo por pessoas conhecidos associada à propriedade da arma foi de 1,014 (intervalo de confiança de 95% = 1,009, 1,019).
  • Conclusões: Nossas descobertas desafiam o argumento de que a propriedade de armas de fogo inibe os crimes violentos, em particular os homicídios.

24. LANZA, S. P. The effect of firearm restrictions on gun-related homicides across US states. Applied Economics Letters, v. 21, n. 13, p. 902–905, 2 set. 2014.

  • Resumo: O massacre em Newtown levantou a questão da violência armada para um debate acalorado. Enquanto vários estados responderam com novos e duros controles sobre armas de fogo, a maioria dos estados afrouxou as restrições. Este estudo explora o efeito que tais mudanças podem ter nos homicídios relacionados a armas de fogo nos Estados Unidos.
  • Resultados: Os resultados, com base em dados de painel para os 50 estados durante o período 2007-2010 e estimados em várias especificações alternativas do modelo, sugerem que restrições mais frouxas provavelmente farão pouco para diminuir a incidência de mortes por armas de fogo, mas que restrições mais apertadas podem produzir uma redução moderada nas fatalidades por armas de fogo.

25. LACOMBE, D. J.; ROSS, A. Revisiting the Question “More Guns, Less Crime?” New Estimates Using Spatial Econometric Techniques. Rochester, NY: Social Science Research Network, 31 jan. 2014. Disponível em: <https://papers.ssrn.com/abstract=2389105>. Acesso em: 3 out. 2017.

  • Resumo: Em um artigo altamente debatido, Lott & Mostard (1997) afirmaram que permitir que os cidadãos transportem armas de mão ocultas reduzia a criminalidade. Desde então, numerosos pesquisadores questionaram a validade da descoberta. Além disso, trabalhos em andamento mostraram que existe um componente espacial importante para o crime. Neste trabalho, usamos técnicas econométricas espaciais para estimar o impacto da adoção de leis de armas de fogo ocultas por alguns estados sobre taxas de criminalidade em todo os EUA.
  • Resultado: Encontramos que existem efeitos de transbordamento das leis de posse oculta de armas de fogo e que a dependência espacial desempenha um papel importante ao estimar o efeito dessas leis sobre crime.

26. KESTEREN, V.; N, J. Revisiting the Gun Ownership and Violence LinkA Multilevel Analysis of Victimization Survey Data. The British Journal of Criminology, v. 54, n. 1, p. 53–72, 1 jan. 2014.

  • Problema: O vínculo entre a propriedade de armas de fogo e a vitimização em crimes violentos continua a ser uma das questões mais contestadas na criminologia. Alguns autores afirmam que a alta disponibilidade de armas facilita a violência grave. Outros afirmam que a propriedade de armas previne o crime.
  • Método: Este artigo revisa essas questões usando dados individuais e agregados sobre a propriedade de armas e a vitimização a partir do International Crime Victims Survey (ICVS).
  • Resultados: A análise a nível nacional mostra que o nível de propriedade de armas de fogo é positivamente relacionado à violência grave, mas não à crimes violentos menos graves. As análises multiníveis sobre os dados de 26 países desenvolvidos mostram que os proprietários de uma arma de fogo possuem um risco aumentado de serem vítimas de crimes violentos. Níveis elevados de propriedade de armas de fogo, no entanto, parecem diminuir o nível de vitimização por crimes violentos menos graves sofridos por aqueles que não são proprietários de armas de fogo.

27. FELSON, R. B.; BERG, M. T.; ROGERS, M. L. Bring a gun to a gunfight: Armed adversaries and violence across nations. Social Science Research, v. 47, p. 79–90, set. 2014.

  • Resumo: Exploramos o papel das armas de fogo na explicação de variações transnacionais na violência. O artigo emprega dados de homicídios e da Crime Victimization Survey. Em países com altas taxas de violência armada, o risco de um assalto desarmado de um indivíduo é menor. As taxas de homicídios e de violência armada dependem de um fator subjacente distinto dos outros tipos de violência. Os resultados sugerem que a taxa de homicídio de um país reflete a tendência dos infratores de usar armas de fogo.

28. COOK, P. J.; GOSS, K. A. The Gun Debate: What Everyone Needs to Know? [s.l.] Oxford University Press, 2014.

  • Resumo: O livro de Cook & Goss tem como objetivo expor todo o cenário de complicações envolvidas no debate sobre o porte de armas de fogo da forma mais acessível possível. Ambos são ótimos pesquisadores envolvidos no tema. Não cabe resumirmos aqui o livro inteiro, apenas destacar uma parte.
  • Trecho sobre armas de fogo e crimes: “As melhores evidências disponíveis sugerem que uma mudança na prevalência de armas de fogo tem um efeito direto sobre a escolha da arma no assalto e roubo, e, o mais importante, que mais armas levam a mais homicídios por armas (e mais homicídios em geral) . Finalmente, vale ressaltar que a conclusão não é “Mais armas, mais crime”. Os resultados da pesquisa foram bastante consistentes em demonstrar que a prevalência de armas não está relacionada às taxas de assalto e roubo. A forte descoberta de que emerge desta pesquisa é que o uso de armas intensifica a violência, tornando mais provável que a vítima de um assalto ou roubo irá morrer. O efeito positivo é sobre a taxa de homicídio, não na taxa global de criminalidade violenta. Em outras palavras: Mais armas, mais mortes.” (p. 59).

29. SIEGEL, M.; ROSS, C. S.; KING, C. The Relationship Between Gun Ownership and Firearm Homicide Rates in the United States, 1981–2010. American Journal of Public Health, v. 103, n. 11, p. 2098–2105, 12 set. 2013.

  • Objetivos: Examinamos a relação entre os níveis de propriedade de armas domésticas, medido diretamente e por meio de proxy – a porcentagem de suicídios cometidos com uma arma de fogo – e as taxas de homicídio de arma de fogo ajustadas por idade no nível estadual.
  • Métodos: Realizamos uma análise de regressão binomial negativa com dados de painel a partir do banco de dados do Centers for Disease Control and Prevention’s Web-Based Injury Statistics Query and Reporting Systems sobre a propriedade de armas de fogo e taxas de homicídios por armas de fogo em todos os 50 estados de 1981 a 2010. Determinamos efeitos fixos para o ano, representando agrupamento em estados com equações de estimativa generalizadas e controlados para potenciais fatores de confusão no nível de estado.
  • Resultados: A propriedade de armas de fogo foi um preditor significativo de taxas de homicídio de armas de fogo (taxa de incidência = 1,009, intervalo de confiança de 95% = 1,004, 1,014). Este modelo indicou que, para cada aumento de um ponto percentual na quantidade de propriedades de armas de fogo, a taxa de homicídio com arma de fogo aumentou 0,9%.
  • Conclusões: Observamos uma correlação robusta entre níveis mais elevados de propriedade de armas e taxas de homicídio por armas de fogo mais altas. Embora não tenhamos conseguido determinar a causalidade, descobrimos que os estados com taxas mais altas de propriedade de armas possuíam um número desproporcionalmente grande de mortes por homicídios relacionados a armas de fogo.

30. LANG, M. Firearm Background Checks and Suicide. The Economic Journal, v. 123, n. 573, p. 1085–1099, 1 dez. 2013.

  • Resumo: Uma proxy popular para a posse de armas é a fração de suicídios por armas de fogo. Isso tornou difícil identificar o efeito causal das armas sobre o suicídio. Neste artigo, as verificações de antecedentes de armas de fogo são usadas como proxy para mudanças nas taxas de propriedade de armas, permitindo que o efeito das armas no suicídio seja identificado.
  • Resultados: Os resultados das regressões com dados de painel mostram que os aumentos nas taxas de checagem de antecedentes para obter a propriedade de armas de fogo estão associados a aumentos nas taxas de suicídio por armas de fogo. O suicídio global é positivamente, mas insignificante, relacionado a verificações de antecedentes. Para aliviar a endogeneidade que vem de indivíduos suicidas que compram uma arma para cometer suicídio, o suicídio juvenil é analisado e produz resultados semelhantes, mas ruidosos.

31. DUBE, A.; DUBE, O.; GARCÍA-PONCE, O. Cross-Border Spillover: U.S. Gun Laws and Violence in Mexico. American Political Science Review, v. 107, n. 3, p. 397–417, ago. 2013.

  • Resumo: Em que medida, e em que condições, o acesso às armas causa o crime violento? Para responder a esta pergunta, exploramos um experimento natural único: o vencimento em 2004 da Federal Assault Weapons Ban dos Estados Unidos. Esse vencimento exerceu um transbordamento no fornecimento de armas em municípios mexicanos perto do Texas, Arizona e Novo México, mas não perto da Califórnia, que manteve o nível estadual pré-proibição existente.
  • Resultados: Encontramos primeiro que os municípios mexicanos localizados mais próximos dos estados fronteiriços exceto a Califórnia experimentaram aumentos diferentes nos homicídios, nos homicídios relacionados a armas de fogo e apreensões de armas criminosas após 2004. Em segundo lugar, a magnitude desse efeito depende de fatores políticos relacionados à transição democrática do México . Os assassinatos aumentaram desproporcionalmente nos municípios onde as eleições locais se tornaram mais competitivas antes de 2004, com os maiores diferenciais emergindo em áreas com elevada presença do narcotráfico. Nossas descobertas sugerem que a concorrência prejudicou os acordos informais entre os cartéis da droga e os governos locais entrincheirados, destacando o papel das condições políticas na mediação da relação crime-arma.

32. CHENG, C.; HOEKSTRA, M. Does Strengthening Self-Defense Law Deter Crime or Escalate Violence? Evidence from Expansions to Castle Doctrine. Journal of Human Resources, v. 48, n. 3, p. 821–854, 1 jul. 2013.

  • Resumo: De 2000 a 2010, mais de 20 estados passaram as assim-chamadas leis da “Castle Doctrine” ou leis “Stand Your Ground” [Mantenha Seu Território]. Essas leis ampliam a justificação legal do uso da força letal em defesa própria, reduzindo assim o custo esperado de usar a força letal e aumentando o custo esperado de cometer crimes violentos. Este artigo explora a variação dentro do estado da lei de autodefesa para examinar seus efeitos sobre homicídios e crimes violentos.
  • Resultados: Os resultados indicam que as leis não impedem o roubo, assalto ou assalto agravado. Em contraste, elas levaram a um aumento líquido estatisticamente significativo de 8%  no número de assassinatos e homicídios não causados por negligência.

33. BANGALORE, S.; MESSERLI, F. H. Gun Ownership and Firearm-related Deaths. The American Journal of Medicine, v. 126, n. 10, p. 873–876, 1 out. 2013.

  • Resumo: Uma variedade de alegações sobre possíveis associações entre taxas de propriedade de armas, fardo de doença mental e risco de mortes relacionadas a armas de fogo foram apresentadas. No entanto, os dados sistemáticos sobre esta questão comprando vários países continuam escassos. Nosso objetivo era avaliar se a noção popular “mais armas fazem uma nação mais segura” tem algum mérito.
  • Métodos: Os dados sobre a propriedade de armas foram obtidos no Small Arms Survey e para mortes relacionadas a armas de fogo de uma base de dados de mortalidade detalhada européia (Organização Mundial da Saúde), o National Center for Health Statistics e outros. A taxa de criminalidade foi utilizada como um indicador de segurança da nação e foi obtida da United Nations Surveys of Crime Trends. As taxas de vida útil ajustadas por incapacidade padronizadas por idade devido ao transtorno depressivo maior por 100.000 habitantes, com dados obtidos da base de dados da Organização Mundial da Saúde, foram utilizados como um indicador putativo de carga de doença mental em um determinado país.
  • Resultados: Entre 27 países desenvolvidos, houve uma correlação positiva significativa entre as armas per capita por país e a taxa de mortes relacionadas a armas de fogo (r = 0,80; P <.0001). Além disso, houve uma correlação positiva (r = 0,52; P = 0,005) entre a carga de doença mental em um país e as mortes relacionadas a armas de fogo. No entanto, não houve correlação significativa (P = 0,10) entre as armas per capita por país e a taxa de criminalidade (r = 0,33), ou entre a doença mental e a taxa de criminalidade (r = 0,32; P = 0,11). Em um modelo de regressão linear com mortes relacionadas à armas de fogo como variável dependente com propriedade de arma e doença mental como variáveis ​​independentes, a propriedade de armas foi um preditor significativo (P <.0001) de mortes relacionadas a armas de fogo, enquanto que a doença mental era de significância limítrofe ( P = 0,05).
  • Conclusão: O número de armas per capita por país é um preditor forte e independente de morte relacionada a armas de fogo em um determinado país, enquanto o poder preditivo da carga de doença mental era de significância limítrofe em um modelo multivariável. Independentemente da causa e efeito exatos, no entanto, o estudo atual desmantela a hipótese amplamente citada de que mais armas tornam uma nação mais segura.

34. ANEJA, A.; DONOHUE, J.; ZHANG, A. Substance vs. Sideshows in the More Guns, Less Crime Debate: A Comment on Moody, Lott, and Marvell. Econ Journal Watch, v. 10, n. 1, p. 32–39, 2013.

  • Resumo: Nosso recente trabalho afirma que a conclusão básica do relatório do National Research Council de 2005 de que não há suporte estatístico credível para a afirmação de que as leis de direito de porte de arma (RTC) reduzem o crime. Este artigo mostra que caso se olhe para o conjunto de controles de Lott e Mustard usando os dados por município ou em nosso conjunto de controles preferencial sobre os dados do estado durante o período 1977-2006, os efeitos estimados das leis do RTC são sensíveis aos vários modelos e dados usados, bem como para a escolha de incluir ou omitir as tendências do estado. A evidência estatística mais forte, embora imperfeita, sugere que as leis do RTC aumentam os assaltos agravados com armas quanto os assaltos graves totais.

Resultados favoráveis à hipótese “Mais Armas, Menos Crimes” (7 artigos)

1. LANG, M. State Firearm Sales and Criminal Activity: Evidence from Firearm Background Checks. Southern Economic Journal, v. 83, n. 1, p. 45–68, 1 jul. 2016.

  • Resumo: O FBI tem relatado o número mensal de verificações de antecedentes das armas de fogo em todos os Estados desde novembro de 1998. Este artigo usa dados sobre verificações de antecedentes a nível estadual para explorar a relação entre armas e crime. As verificações de antecedentes captam a intenção de um indivíduo de comprar uma arma de fogo e explicam 96% da variação na fabricação de armas a nível nacional. As regressões binomiais negativas de efeito fixo mostram uma relação positiva, mas insignificante, entre verificações de antecedentes e crimes violentos. Os crimes de propriedade estão negativamente relacionados com as verificações de antecedentes e são estatisticamente significativos no nível de 10%. Os resultados sugerem que as políticas de controle de armas devem ser acopladas a outras iniciativas se os decisores políticos pretenderem reduzir o crime relacionado a armas.

2. CRIFASI, C. K.; POLLACK, K. M.; WEBSTER, D. W. Effects of state-level policy changes on homicide and nonfatal shootings of law enforcement officers. Injury Prevention, v. 22, n. 4, p. 274–278, 1 ago. 2016.

  • Objetivo: Avaliar o impacto das mudanças de política a nível estadual em assaltos a policiais (LEOs) nos EUA.
  • Métodos: As séries temporais agrupadas e secções transversais com regressão binomial negativa foram utilizadas para estimar o impacto das mudanças no nível estadual das leis de direito de porte de arma (RTC), leis de três-avisos e permissão para compra (PTP) em casos fatais e assaltos não fatais de LEOs. Os assaltos LEO foram estratificados por tipo de arma (todos os métodos, armas leves e armas pesadas) e se o ataque foi ou não fatal. Os dados foram coletados da base de dados Federal Bureau of Investigation’s Law Enforcement Officers Killed and Assaulted e analisados ​​pelo período 1984-2013 para assaltos fatais e 1998-2013 para assaltos não fatais.
  • Resultados: As leis de RTC não mostraram associação com ataques fatais (p> 0,4) ou não fatais (p> 0,15) em LEOs. As leis de três avisos foram associadas a um aumento de 33% no risco de assaltos fatais em LEOs. A lei PTP de Connecticut não foi associada a assaltos fatais (p> 0,16) ou não fatais (p> 0,13). A revogação do Missouri de sua legislação PTP foi marginalmente associada a um aumento do risco aumentado de assaltos não-fatais por armas leves (p = 0,089).
  • Conclusões: Esta pesquisa indica que as leis de três greves aumentam o risco de assaltos fatais. As leis do RTC não estão associadas ao aumento do risco de assalto. A revogação de PTP no Missouri pode aumentar o risco de assaltos não-fatais por armas leves.

3. BARATI, M. New evidence on the impact of concealed carry weapon laws on crime. International Review of Law and Economics, v. 47, n. Supplement C, p. 76–83, 1 ago. 2016.

  • Pontos-Chave: São propostas algumas considerações sobre o tipo de lei que os estados tinham antes de passar leis de porte oculto de arma (“devem emitir”). A adoção de “leis de emissão” só reduz a taxa de criminalidade nos estados com leis “sem emissões”. As leis “devem emitir” são redundantes para as leis “podem emitir” (leis de transporte oculto restrito) em termos de redução da criminalidade.
  • Resumo: Durante mais de uma década, houve um debate acadêmico sobre o efeito de dissuasão das leis de armas ocultas (“leis devem emitir”). No entanto, todos os estudos anteriores não consideram os tipos de leis de armas em uso antes da adoção das leis “devem emitir”. Usando a metodologia da diferença em diferença, as conclusões deste estudo implicam que, considerando o tipo de regulamento que os estados tinham antes de passar leis “devem emitir”, as leis “devem emitir” têm efeito de dissuasão sob certas circunstâncias. A adoção de leis “podem emitir” só reduz a taxa de criminalidade nos estados com leis “sem emissão” e as leis “devem emitir” são redundantes para leis “podem emitir” (porte oculto restrito) em termos de redução de crime.

4. MOODY, C. E. et al. The Impact of Right-to-Carry Laws on Crime: An Exercise in Replication. Review of Economics & Finance, v. 4, p. 33–43, 2014.

  • Resumo: Em um artigo publicado em 2011, Aneja, Donohue e Zhang descobriram que as leis de porte oculto de armas ou de direito a transportar (RTC) não têm efeito em nenhum crime, exceto por um efeito positivo nos assaltos. Este artigo relata uma replicação de suas descobertas básicas e algumas verificações de robustez correspondentes, que revelam um grave problema de variável omitida. Uma vez corrigidas as variáveis omitidas, o resultado mais robusto, confirmado usando dados por município e por estado, é que as leis do RTC reduzem significativamente o assassinato. Não há evidências robustas e consistentes de que as leis de RTC tenham qualquer efeito significativo em outros crimes violentos, incluindo assaltos. Há poucas evidências de que as leis do RTC aumentam o assalto e o assalto ao diminuir a violação. Dado que os custos das vítimas de assassinatos e estupros são muito superiores aos custos de assalto e roubo, a evidência mostra que as leis do RTC são socialmente benéficas.
  • Comentários:

5. GIUS, M. An examination of the effects of concealed weapons laws and assault weapons bans on state-level murder rates. Applied Economics Letters, v. 21, n. 4, p. 265–267, 4 mar. 2014.

  • Resumo: O objetivo do presente estudo é determinar os efeitos das proibições de armas de assalto a nível estadual e leis de porte oculto de armas de fogo nas taxas de assassinato no nível estadual. Usando dados para o período de 1980 a 2009 e controlando os efeitos fixos estaduais e anuais, os resultados do presente estudo sugerem que os estados com restrições ao transporte de armas ocultas tiveram maiores taxas de homicídios relacionadas a armas do que outros estados. Verificou-se também que as proibições de armas de assalto não afetaram significativamente as taxas de homicídio no nível estadual. Esses resultados sugerem que leis restritivas ao porte oculto de armas podem causar um aumento nos assassinatos relacionados a armas no nível estadual. Os resultados deste estudo são consistentes com algumas pesquisas anteriores nesta área, mais notavelmente Lott e Mustard (1997).

6. LOTT, J. R. More Guns, Less Crime: Understanding Crime and Gun Control Laws, Third Edition. [s.l.] University of Chicago Press, 2013.

  • Resumo: More Guns, Less Crime (Mais Armas, Menos Crimes) é um livro de John Lott, que diz que as taxas de criminalidade violenta diminuem quando os estados passam leis que “devem emitir” permissões de portar armas ocultas. Ele apresenta os resultados de sua análise estatística de dados de crime para cada município nos Estados Unidos durante 29 anos de 1977 a 2005. Cada edição do livro foi avaliada pela University of Chicago Press. O livro examina dados de nível de cidade, município e estado de todo os Estados Unidos e mede o impacto de 13 tipos diferentes de leis de controle de armas nas taxas de criminalidade. O livro se expande em um estudo anterior publicado em 1997 por Lott e seu co-autor David Mustard em The Journal of Legal Studies [1] e por Lott e seu co-autor John Whitley em The Journal of Law and Economics, outubro de 2001. [ 2]
  • Comentários:

 

7. KOVANDZIC, T.; SCHAFFER, M. E.; KLECK, G. Estimating the Causal Effect of Gun Prevalence on Homicide Rates: A Local Average Treatment Effect Approach. Journal of Quantitative Criminology, v. 29, n. 4, p. 477–541, 1 dez. 2013.

  • Objetivo: Este artigo utiliza uma estrutura de “efeito de tratamento médio local” (LATE) em uma tentativa de desembaraçar os efeitos separados da prevalência de armas criminosas e não criminosas sobre as taxas de violência. Primeiro mostramos que uma série de estudos anteriores não conseguiram abordar adequadamente os problemas de endogeneidade, validade de proxy e heterogeneidade na criminalidade. Demonstramos que o problema do proxy da série temporal é grave; estudos anteriores de dados de painel usaram proxies que são essencialmente não correlacionados em séries temporais com medidas diretas de relevância de armas.
  • Métodos: Adotamos em vez disso uma abordagem de seção transversal: usamos dados de nível municipal dos EUA em 1990, e nós representamos os níveis de prevalência de armas na porcentagem de suicídios cometidos com armas, o que pesquisa recente indica é a melhor medida de níveis de armas para pesquisas transversais. Nós instrumentalizamos níveis de armas com três instrumentos plausivelmente exógenos: inscrições para revistas de esportes ao ar livre, preferências de voto nas eleições presidenciais de 1988 e número de veteranos militares. No nosso quadro LATE, o impacto estimado da prevalência de armas é uma média ponderada de um impacto possivelmente negativo da prevalência de armas não criminosas sobre o homicídio e um presumido impacto positivo da prevalência de armas criminosas.
  • Resultados: Encontramos evidências de um impacto negativo significativo e interpretamos-o como principalmente “local para não-criminosos”, ou seja, principalmente determinado por um efeito dissuasivo negativo da prevalência de armas não criminosas. Também demonstramos que uma ATE para prevalência de armas que é positiva, negativa ou aproximadamente zero são totalmente plausíveis e consistentes com nossas estimativas de um impacto negativo significativo da prevalência de armas não criminosas.
  • Conclusões: As implicações políticas de nossas descobertas são talvez melhor compreendidas no contexto de dois cenários hipotéticos de proibição de armas, o primeiro mais otimista, o segundo mais pessimista e realista. Primeiro, a proibição de armas pode reduzir a apropriação de armas entre criminosos e não criminosos, e a interpretação tradicional de ATE, portanto, se aplica. Nossos resultados acima sugerem que estimativas plausíveis do impacto causal de uma redução média na prevalência de armas incluem efeitos positivos, nulos e negativos sobre as taxas de homicídios de armas e, portanto, nenhuma evidência forte em favor ou contra tal medida. Mas é altamente improvável que os criminosos cumpram a proibição de armas na mesma medida que os não criminosos; na verdade, é praticamente uma tautologia que os criminosos violariam uma proibição de armas a uma taxa maior do que os não criminosos. Assim, sob o cenário mais provável de que as proibições de armas reduzam os níveis de armas mais entre os não criminosos do que os criminosos, a interpretação LATE dos nossos resultados move a gama de possíveis impactos para o aumento das taxas de homicídios por armas, pois o declínio nos níveis de armas ocorre principalmente entre aqueles cuja posse da arma tem efeitos predominantemente negativos no homicídio.

Referências

Revisões de Literatura e Meta-Análises:

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Artigos que encontram evidências contrárias à hipótese “Mais Armas, Menos Crimes”:

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Artigos que encontram evidências positivas para “Mais Armas, Menos Crimes”:
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11 Responses to “Dossiê Armas, Crimes e Violência: o que nos dizem 61 pesquisas recentes”

  1. Marcos Vinicius

    O problema do Brasil, diferente de qualquer outro país com armas legalizadas ou não, é, e sempre foi, a impunidade. Não é uma lei (estatuto do desarmamento) que vai fazer com que toda a população tenha menos armas. Somente as pessoas corretas entregaram suas armas. Os criminosos (como já era esperado, afinal são criminosos, não atendem às leis) não entregaram. Com isso, passaram a ser os únicos com arma de fogo. O governo não tem coragem de enfrentar o problema (segurança pública, impunidade, tráfico de armas) como se deve, daí a população se vê com apenas uma única saída: voltar a se defender sozinha, como sempre fez.

    • Renan

      Faz sentido oq ue você disse..
      A impunidade sim tem forte influência na violência..
      Sou a favor do controle de arma.as junto tem que vir o pacote.. com leis severas…é uma polícia eficiênte. Nossa polícia apura 3% dos homicídios isso é um caos.. com arma ou sem.. seremos sempre um caos..
      Sou a favor do estatuto do desarmamento..
      Acredito que ele preciso de uns ajustes.. como por exemplo triplicar as penas ..previstas..

  2. Everton Maciel

    Interessante, o cara se concentra naquilo que ele chama de tese “Mais Armas, Menos Crimes”. Eu não tenho armas pra diminuir o número de crimes. Eu tenho para minha segurança pessoal. Quem deve se preocupar com crimes é o Estado.

    Caso eu reaja a um assalto será, sim, um crime, homicídio – caso o bandido morra – quem julga a tese de legitima defesa não é delegado que fechará o inquérito como homicídio. Pronto. Eu que mostre a legítima defesa na justiça. Ou seja: mais armas, mais homicídios. Mas que não seja o meu!

    O raciocínio de que mais armas servem pra resolver o problema da segurança pública é como esperar que um guarda-chuva faça parar de chover.

    É preciso ser retardado pra imaginar isso. Ou desarmamentista, tanto faz.

    Everton Maciel
    DOUTORANDO em Filosofia.

    • Angelo

      Mas a grande questão acho que é essa, hoje mesmo nos debates por aí ainda levanta-se a questão das armas tendo um efeito dissuasivo, percebe-se que essa tese já foi esgotada. Também sou a favor de mais armas, justamente pela defesa pessoal e a incapacidade dos órgãos de segurança pública, especialmente na zona rural.

    • Rafael Ayres

      Acredito que a ”analogia do guarda-chuva” não poderia descrever melhor a situação. Na minha opinião seu raciocínio está perfeito: ”É como esperar que um guarda-chuva faça parar de chover”.

      Não queremos acabar com a chuva, mas apenas ter uma chance de não nos molhar. Quem não quiser comprar um guarda-chuva, que não compre, mas não podemos retirar o direito de quem quer comprar um. E outra, não é porque eu tenho um guarda-chuva que eu vou sair por ai molhando os outros. A tese ”desarmamentista” praticamente conclui: não vale a pena usarmos um guarda-chuva, pois não só não faz parar de chover como não anula o risco de você se molhar. Melhor ficarmos sem o guarda-chuva.

      Indo mais além, muitas pesquisas dizem: a arma não garante que você irá conseguir se defender. Pode até ser, mas nós preferimos ter essa pequena chance de defesa (caso um assaltante, estuprador, homicida, tente entrar em nossa casa), do que a certeza de que teremos chance nenhuma. O Estado não pode impedir o cidadão de ao menos tentar, ainda mais quando ele mesmo falhou (e, por sinal, falhou miseravelmente) nesse dever. Me lembro de uma fala do professor Alessandro Molon: ”revogar o estatuto do desarmamento é reconhecer a falência do Estado na segurança pública”. Eu concordo com a fala do professor. Mas, por outro lado, eu fico me perguntando: será que ele não faliu? Será que não reconhecer essa falência não estaria apenas piorando o quadro? É como se o Estado falasse para mim: ”aguenta aí que eu estou indo te salvar”; e faz 15 anos que eu espero, mas o Estado não chega. Será que não está na hora de dizermos: ”tudo bem Estado, você fez o que pode, se recupera primeiro e depois voltamos a isso”. No final, o povo brasileiro quer, apenas, ter a chance de se defender, ninguém quer sair por aí dando uma de Batman e combatendo o crime organizado.

      Mas há quem diga: as armas dos cidadãos terminam nas mãos dos ”bandidos”. Bom, já temos 13 anos de estatuto e o poder paralelo está mais armados que nunca. Abrimos mão da nossa ”pequena chance” simplesmente para nada, pois, nem mesmo esse efeito conseguimos.

      Outra coisa: o maluco nos EUA usou armas de fogo. Ok, é verdade, foi isso mesmo que ele usou. Mas, restaria-se as perguntas: a) e o maluco da França que usou um caminhão totalmente carregado (morreram 84)?; b) e o maluco do Afeganistão que jogou 2 aviões no WTC (morreram 2900 pessoas)? Não escutei nada sobre projeto de leis proibindo o uso de caminhões ou proibindo a compra de passagens aéreas. Concordo que as armas devem ser controladas, mas discordo que devam ser proibidas. O Brasil tem uma legislação proibitiva (tanto jurídica quanto econômica, pois as taxas para se adquirir uma arma são exorbitantes).

      Talvez as pesquisas estejam certíssimas e o erro esteja na conclusão da ”tese desarmamentista”. Talvez não haja correlação entre aumento/diminuição de armas de fogo com o aumento/diminuição da violência. Mas, certamente, a diminuição das armas de fogo incorrerão em uma diminuição da nossa capacidade de defesa, como isso é bom? Ou será que alguém aqui confia no Estado para isso?

      Não queremos criar um faroeste, mas apenas ter uma chance (ainda que pequena) até a polícia chegar, já que um ponto todos concordam: não podemos evitar a chuva.

      Agradeço ao professor Thomas Conti por fazer esse compilado e nos fazer refletir um pouco mais sobre a questão. Obrigado também ao professor Everton por nos fazer refletir por um outro lado. Por fim, parabéns a ambos pelo doutorando. Desejo sorte na defesa da tese!!!! Peço desculpas por eventuais erros de grafia, escrevi rápido sem muito tempo de revisão, até pq isso não é um concurso de ortografia, que, sem dúvida, eu perderia.

  3. Bruno C. Rodrigues

    Thomas, na linha “Quanto maior a unidade de análise, menos sensíveis…” não seria “mais sensíveis”?

  4. Fernando

    Mas, ô Everton, o debate público sobre armas se volta a políticas públicas sobre armas. O seu sentimento quanto a você portar armas, ou não, é irrelevante pra esse debate

  5. Toffano

    A maioria dos estudos olha armas vs homicídios com armas, o que me parece um resultado óbvio.

    Mais piscinas levam a mais afogamentos em piscinas, mais escadas em mais quedas de escadas e etc.

    A escolha dessas variáveis quase garante um resultado significativo, por isso acho que deveria ser numero de armas vs homicídios em geral, pois assim capturamos o efeito substituição entre diferentes métodos utilizados em homicídios.
    Com essa escolha de variáveis a proporção de estudos que encontram relação significativa fica muito mais equilibrada, provavelmente significando um efeito substituição forte.

    obs. : não acho que mais armas reduzam crime, só acho que as duas variáveis não são tao correlacionadas assim (Vide alto crime no brasil sem armas, ou a queda dramática do crime em NY mantendo suas armas). E é certo que armas aumentam suicídios e acidentes com armas.

  6. Fabrício M. Garcia

    Li os artigos e cheguei a seguinte conclusão:

    1. Houve um erro metodológico na análise dos artigos, não sei se por coincidência, todos os arigos foram escritos por professores declaradamente de esquerda, o qual alguns já fizeram artigos atacando até mesmo a polícia. Seria interessante utilizar autores com outros posicionamentos.
    2. A maioria dos artigos não utilizam números referentes ao porte de armas e também não confronta os números dos crimes evitados com a posse de armas.
    3. Alguns artigos tentam aferir diretamente o impacto das leis, o que é um equívoco, já que é necessário averiguar outros indicadores, como o grau de aplicação da lei, para poder inferir algum tipo de conclusão.

    Gostaria de ver a análise de artigos números mais pálpaveis e escritos por autores sem tanto viés ideológico.

  7. Armamento civil não siginifica menos crimes – Jornal Expresso Parana

    […] e os organizei junto com estudos brasileiros sobre a relação entre armas, crimes e violência. O material está disponível no meu blog. Exponho aqui algumas conclusões importantes desse apanhado sobre a questão do […]

  8. Renan

    Pelo conteúdo..
    Precisamos nos aprofundar mais…e entender por que os países desenvolvidos estão todos no caminho de restringir o acesso as armas..e no Brasil o lobby consegue fazer um movimento contrario…
    Outra coisa..deveria expor os gráficos do estado de São Paulo.. que usa está ferramenta de forma exemplar.. e deveria ser motivo de estudo mundial. Pois reduziu de forma severa as taças de homicídios… E é o estado que mais apreende armas de fogo..e as retira das ruas..

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