List

[Este post é uma tradução de um artigo que tomou as redes, escrito por David Wong, editor do site Cracked. O autor fala em primeira pessoa e com uso do humor, mas foi uma das melhores análises da eleição que li por ser muito simples e direta, daí decidi traduzir.]

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Eu vou explicar o fenômeno Donald Trump em três filmes. E então algum texto.

Há um arquétipo universal que os filmes de épicos de aventura usam para separar os bons dos maus. Os bons são pessoas simples do campo…

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…enquanto os maus são idiotas decadentes que vivem na cidade e usam roupas estúpidas:

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Em Star Wars, Luke é um garoto de fazenda…

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…enquanto os maus vivem em uma estação espacial brilhante:

Em Coração Valente, o personagem principal (Dennis Braveheart) é um simples fazendeiro…

…e o covarde Príncipe desprezível vive em um luxuoso castelo e usa roupas de fantasia, fofas:

O tema se expressa de várias maneiras – primitivo versus avançado, resistente vs. delicado, masculino vs. feminino, pobre vs. rico, puro vs. decadente, tradicional vs. estranho. Todos são codinomes para a separação rural versus urbano. Essa tensão entre os dois não existe por causa desses filmes, obviamente. Esses filmes usavam a tensão como arquétipo porque a divisão já existia.

Nós, camponeses, somos programados para odiar as elites frescas. Isso nos leva a Trump.

6 Não é sobre estados vermelhos e azuis – é sobre o campo contra a cidade

Nasci e cresci em um distrito Trump. Minha família é gente Trump. Se eu não tivesse se afastado e conseguido este trabalho ridículo, eu estaria votando para ele. Eu sei que eu faria. [Nota do Tradutor: esse texto é uma tradução, não sou eu falando]

Veja, os chegados na política falam sobre “estados vermelhos” e “estados azuis” (onde vermelho=republicano ou conservador e azul=democrata ou progressista), mas esquecem os distritos. Se você quiser entender o fenômeno Trump, desenterre o mapa mais detalhado dos distritos. Veja como a nação votou distrito por distrito na eleição de 2012 – outra vez, o vermelho é republicano:

Esse mapa faz parecer que o partido azul de Obama é algum tipo da facção política das bordas que se esforça para conseguir 20% dos votos. As partes azuis, no entanto, são mais densamente povoadas – são as cidades. No canto superior esquerdo, você vê a área azul de Seattle / Tacoma, mais para baixo é San Francisco e então Los Angeles. O azul em torno do Lago Michigan é feito das cidades como Minneapolis, Milwaukee, e Chicago. No nordeste é, claro, Nova York e Boston, levando para a Filadélfia, o que leva a uma faixa azul que conecta um monte de cidades do sul, como Charlotte e Atlanta.

Ilhas azuis em um oceano do vermelho. As cidades são menos de 4 por cento da massa terrestre, mas 62% da população e facilmente 99% da cultura popular. Nossos filmes, shows, músicas e notícias irradiam para fora a partir daquelas ilhas azuis.

E se você vive no vermelho, isso é uma merda.

Veja, eu sou de um estado “azul”, Illinois. Mas o estado não é azul. Chicago é azul. Eu sou de uma pequena cidade em uma das áreas de sangue vermelho:

Quando criança, visitar Chicago era como, bem, Katniss visitando a capital. Os modos daquelas pessoas eram estranhos.

E todo o maldito mundo gira em torno deles.

Cada programa de TV é sobre Los Angeles ou Nova York, talvez com um pouco de Chicago ou Baltimore jogados no meio. Quando eles fizeram um show sobre nós, nós aparecemos como piadas – ou de olhos arregalados, ou como tolos ingênuos (Parks And Recreation, e antes disso, Newhart). Ou imundos mutantes assassinos (True Detective, e antes disso, Libertação). Você podia sentir a arrogância há centenas de quilômetros de distância.

Você não pode ter uma consulta no dentista se você vive mais de 15km de distância de uma rodovia, aparentemente.

Você não pode ter uma consulta no dentista se você vive mais de 15km de distância de uma rodovia, aparentemente.

“Nada que aconteça fora da cidade importa!” Eles dizem em suas festas, felizmente inconscientes de onde sua comida é cultivada. Ei, lembra quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleans? É um tanto estranho que um grande furacão que correu por centenas de quilômetros de distância conseguiu atingir uma cidade específica e evitar todo o resto. Ao assistir as notícias (ou os vários filmes e programas de TV sobre ele), você mal ouve sobre como a tempestade completamente atropelou o Mississippi rural, matando 238 pessoas e causando espantosos $125 bilhões em danos.

Não tem um time esportivo forte? Não damos a mínima para você.

Não tem um time esportivo forte? Não damos a mínima para você.

Mas quem se importa com essas pessoas, certo? O que é notável sobre um grupo de caipiras desdentados chorando sobre um reboque? New Orleans é culturalmente importante. Logo, ela importa.

Para aqueles ignorados, pessoas que sofrem, Donald Trump é um tijolo jogado pela janela das elites: “Vocês estão ouvindo agora?”

5. As pessoas da cidade são de um maldito planeta diferente

“Mas isso não é realmente sobre a raça, os partidários do Trump não são apenas um monte de racistas? Não odeiam as cidades porque é onde o povo marrom vive?”

Olha, vamos encontrar nazistas na seção de comentários deste artigo. Não “chamando os nazistas como pontos de argumentação”, mas nazistas reais, com suásticas em seus avatares. Nazistas. Essas pessoas existem.

Mas o que posso dizer, por experiência pessoal, é que o racismo da minha juventude sempre foi um passo adiante. Eu nunca vi um membro da família, amigo ou colega de escola ser malvado com as pessoas negras reais que tínhamos na cidade. Nós trabalhamos com eles, jogamos videogames com eles, acenamos para eles quando eles passam. O que eu ouvi foi vários milhões de comentários sobre como, se você já se aventurou na cidade, andar no “bairro errado” significava que você seria arrastado de seu carro, estuprado e queimado vivo. Olhando para trás, acho que a ideia era que as minorias locais estavam bem… contanto que agissem exatamente como nós.

Nossa imagem mental das esquinas de Chicago, em qualquer dia e hora.

Nossa imagem mental das esquinas de Chicago, em qualquer dia e hora.

Se você tivesse me perguntado na época, eu teria dito que o medo e o ódio não eram de pessoas com pele marrom, mas daquela tribo específica que eles têm em Chicago – você sabe, os caras com a gíria estranha, músicas e roupas, os demônios que matam todos os que vêem. Tudo isso fazia parte da natureza bizarra das cidades, percebidas de longe – uma combinação de selvagens hiper-agressivos e elites brancas frívolas. Seus modos são estranhos. E não era como se a cultura pop estivesse tentando me convencer do contrário:

Não é apenas a percepção, ou ao menos as estatísticas reforçam o fato de que esses são universos paralelos. As pessoas que vivem no campo são duas vezes mais propensas a possuir uma arma e provavelmente vão se casar mais jovens. As pessoas nas áreas “azuis” urbanas falam mais rápido e caminham mais rápido. Elas são mais propensas a serem dependentes químicos, mas menos propensos a serem alcoólatras. Os azuis [democratas-urbanos] são menos propensos a possuir terra e, mais importante, eles são menos propensos a serem cristãos evangélicos.

Um dia sem fogo do inferno é como um dia sem luz do sol.

Um dia sem fogo do inferno é como um dia sem luz do sol.

Nas pequenas cidades, isso muitas vezes se expressa na forma de “Eles não compartilham nossos valores!” E meus amigos progressistas gostam de zombar disso. “O que, quais valores? Valores como o analfabetismo e a homofobia?!?!”

Não. Tudo.

4. As tendências começam sempre nas cidades – e nem todas elas são boas


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As cidades estão sempre vivendo no futuro. Lembro-me quando a nossa pequena cidade teve o nosso primeiro restaurante chinês e, 20 anos depois, a sua primeira cafeteria fantasia. Tudo isso tinha aparecido em filmes (ambientados em Los Angeles, é claro) décadas antes. Lembro-me de assistir filmes dos anos 80 e zombar dos estereótipos da “Menina do Campo” – garotas de lugares como a Califórnia, que gostariam de dizer “tipo” entre cada terceira palavra. Vinte anos depois, você pode me ouvir fazendo o mesmo em cada podcast do Cracked. O câncer começou em Los Angeles e se espalhou para o resto da América.

Bem, a percepção naquela época era de que aquelas pessoas da cidade estavam se tornando ateias, abandonando a igreja por suas festas de sexo bissexual. Isso, segundo nos disseram, era literalmente um sinal do Apocalipse. Não apenas devido às conseqüências espirituais (que eram terríveis), mas a devastação que viria para a cultura. Eu não poderia imaginar qualquer refutação. Naquele lugar, naquela época, a igreja era tudo. Não tome minha palavra para acreditar nisso – escute os peritos:

“…em comunidades menores, igrejas comumente são o único caminho para grandes encontros sociais. Igrejas também podem atuar como as únicas provedoras de conselhos, alívio aos pobres e atividades sociais em comunidades rurais.” – Gallup

A igreja foi onde você fez amigos, conheceu garotas, encontrou uma rede para empregos, teve apoio social. Os pobres poderiam obter comida e roupas lá, casais poderiam obter conselhos sobre seus casamentos, viciados poderiam tentar ficar limpos. Mas agora estamos vendo um declínio surpreendente no cristianismo entre a população em geral, a doença agnóstica parece ter espalhado ao lado de conversa da Menina do Campo. Então, de acordo com a Fox News, qual é o resultado desses esnobes decadentes, ateus, amorais nas cidades que viraram o nariz para Deus?

Caos.

O tecido social está quebrando, dizem eles, assim como previsto. E o que os americanos rurais vêem na notícia hoje é um vislumbre do que acontecerá com eles amanhã.

Os selvagens estão chegando.

Negros fazem motim, muçulmanos colocam bombas, gays propagam AIDS, cartéis mexicanos decapitam crianças, ateus rasgam as árvores de Natal. Enquanto isso, os liberais [Liberais é o nome que dão a esquerda Democrata nos EUA] em seus apartamentos de US $5.000 por mês bebem vinho e dizem: “Mas esses cristãos brancos são o verdadeiro problema!” As vítimas de terror gritam na rua ao lado de seus próprios membros amputados e a resposta das elites é chorar sobre como os homens devem ser autorizados a usar os banheiros das mulheres e como é cruel manter galinhas em gaiolas.

“Nós não nos importamos.” Ambos os lados concordam com esse slogan, mas com intenções completamente diferentes.

Loucura. Suas cabeças estão tão acima de suas bundas que não podem mais discernir de cima para baixo. As verdades básicas e óbvias que passaram inquestionáveis há milhares de anos começam a rir e gritar: o fato de que o trabalho árduo é melhor do que a dependência do governo; que as crianças fazem melhor com ambos os pais na foto; que a paz é melhor do que os tumultos; que um código moral estrito é melhor do que o hedonismo; que os seres humanos tendem a valorizar as coisas que eles se esforçaram para ter mais do que as que eles ganham de graça; que não ser explodido por uma bomba é melhor do que ser explodido por uma bomba.

Ou como dizem na roça, “Não mije na minha perna e me diga que está chovendo.”

O alicerce sobre a qual a América foi incontestavelmente construída – família, fé e trabalho duro – tinha sido considerada fora de moda e algo de mentes pequenas. Essas elites respirando o ar do alto da sua torre de marfim riram quando derrubaram aquele alicerce, e então escreveram pensamentos em espetáculos de 10 mil pessoas acusando os construtores pelo colapso que se seguiu.

3. As áreas rurais foram surradas

Não me mande dizer que todas aquelas coisas que eu listei são erradas. Eu sei que elas são erradas. Ou melhor, acho que elas estão erradas, porque agora eu moro em um distrito azul e trabalho para uma indústria azul. Eu sei que os bons velhos dias do passado foram construídos sobre a escravidão e a segregação, eu sei que categorias inteiras da humanidade experimentaram a religião somente como uma bota em seu pescoço. Sei que essas “famílias tradicionais” envolvem milhões de mulheres presas em cozinhas e casamentos ruins. Eu sei que os gays viviam com medo e os abortos eram assuntos de becos.

Eu sei que as mudanças foram para o melhor.

Tente dizer isso a qualquer um que vive em um distrito Trump.

Difícil ser comovido por HIllary Clinton quando o seu sinal Trump é a coisa mais valiosa que você possui.

Eles estão sendo completamente espancados. Eu sei, eu estava lá. Saio da cidade e a taxa de suicídio entre os jovens duplica. A recessão golpeou as comunidades rurais, mas toda a recuperação foi para as cidades. A taxa de abertura de novas empresas nas zonas rurais foi totalmente reduzida.

Distritos gerando metade das novas empresas do país.

Veja, empregos rurais costumavam ser baseados em torno de um grande negócio local – uma fábrica, uma mina de carvão, etc. Quando esse negócio morre, a cidade morre. Onde eu cresci, foi o fechamento de uma refinaria de petróleo. Eu fui criado no esqueleto esvaziado do que a cidade tinha sido uma vez. O telhado do nosso colégio vazou quando choveu. As cidades podem compensar a perda de empregos de manufatura com serviços – as pequenas cidades não podem. Esse modelo não funciona abaixo de uma certa densidade populacional.

Se você não vive em uma dessas pequenas cidades, você não pode entender a desesperança. A grande maioria das carreiras possíveis envolve a mudança para a cidade, e em torno de cada cidade há agora uma parede de cem metros chamada “Custo de Vida”. Digamos que você é um garoto esperto que ganha $8 dólares por hora na Walgreen e ambiciona coisas maiores. Muito bem, prepare-se para mudar a si mesmo e seu novo bebê para um apartamento de 60 metros quadrados por US$1.200 por mês, e então pagar o dobro do que você está pagando agora por serviços públicos, mantimentos e babás. A menos, é claro, se você está planejando se mudar para um dos “aqueles” bairros (espero que goste de ser incendiado!).

Em uma cidade, você pode plausivelmente aspirar a iniciar uma banda, ou se tornar um ator, ou obter um diploma de médico. Você pode realmente ter sonhos. Em uma cidade pequena, não pode haver locais para artes cênicas além de bares de música country e igrejas. Só pode haver dois médicos na cidade – almejar um trabalho como esse significa esperar por um deles se aposentar ou morrer. Você abre os classificados e todas as listas do trabalho serão para o fast food ou as lojas de conveniência. O “centro” é apenas os cadáveres de lojas falidas na cratera de explosão do Walmart, os “subúrbios” são parques de reboque. Há partes dessas cidades que parecem pós-apocalípticas.

Estou lhe dizendo, a desesperança te come vivo.

E se você ousar queixar-se, alguma elite liberal puxará para fora seu iPad e escreverá uma reclamação sobre seu privilégio branco racista. Alguém já respondeu a este com um comentário dizendo: “você deve tentar viver em um gueto como uma minoria!” Exatamente. Para eles, parece que a situação das minorias pobres é usada apenas como um clube para chutar longe os gritos brancos de socorro. Enquanto isso, a taxa de suicídios brancos rurais e overdoses sobe assustadoramente. Merda, pelo menos os políticos agem como se eles se preocupassem com as cidades do interior.

2. Todos atacam quando não têm voz

A sensação realmente é como uma soma do pior dos dois mundos: todos os estragos da pobreza, mas sem nenhuma parte da simpatia. “Os pretos queimam carros da polícia, e essas elites liberais dizem que não é culpa deles porque são pobres. Meu filho é preso e demitido por conta de um saco de metanfetamina, e essas mesmas elites fazem piadas sobre seus dentes perdidos!” Você é o saco de pancadas de todos, um dos últimos alvos da comédia segura.

Eles pegam pesado. E os alvos são pessoas que vêm de uma longa linha de famílias que se orgulhavam de cuidar de si mesmos. De onde eu sou, você não era um homem de verdade a menos que você pudesse consertar um carro, remendar um telhado, caçar sua própria carne e defender sua casa de um intruso. Era uma fonte de vergonha ser dependente de qualquer pessoa – especialmente do governo. Você cortou seu próprio gramado e consertou seus próprios encanamentos quando vazaram, você coletou sua própria lenha em sua própria caminhonete. (O meu foi um 1994 Ford Ranger! O proprietário atual diz que ainda funciona!)

Não como aqueles hipsters em seus apartamentos minúsculos, ou “aquelas pessoas” em seus projetos de moradia popular do governo, esperando o proprietário do imóvel sempre que algo quebra, sabendo que se as coisas começarem a dar muito errado você pode simplesmente se mudar. Quando você não possui nada, todo problema é um problema de outra pessoa. “Eles provavelmente também não pagam impostos, tratando a própria América como um apartamento subsidiado que eles acham que podem estragar!”

“Oh, querida, a pressão da água parece ter parado de funcionar, chegou a hora de queimar tudo e depois processar para ganharmos uma casa maior”.

O povo rural com os sinais de Trump em seus estaleiros diz que seu modo de vida está morrendo, e você sorri e diz que o que eles realmente querem dizer é que negros e gays estão finalmente recebendo direitos iguais e que eles odeiam ambos. Mas eu estou dizendo, eles dizem que seu modo de vida está morrendo porque seu modo de vida está morrendo. Não é a imaginação deles. Nenhum filme sobre o futuro retrata a humanidade como sendo cheia de famílias tradicionais, caçadores e minas de carvão. Bem, exceto Jogos Vorazes. Um filme que começa descrevendo um apocalipse, uma distopia.

Então, sim, eles votam para o cara prometendo colocar as coisas de volta como eram, o cara que seria um sinal de alerta para as ilhas azuis. Eles votaram pelo tijolo através da janela.

Foi um voto de desespero.

1. Cuzões são heróis

“Mas Trump é objetivamente um pedaço de merda!” você diz. “Ele insulta as pessoas, ele objetifica as mulheres e engana sempre que possível! E ele não é um homem comum, ele é um bilionário, um arrogante!”

Espere, você está falando de Donald Trump, ou esse cara:

Faça os Vingadores se unirem de novo!

Você nunca torceu por alguém assim? Alguém poderoso que dá a seus inimigos os insultos que merecem? Alguém com objetivos grandes, algo divertidos, que ferra com os outros o suficiente para torná-los palatáveis? Como Dr. House ou Walter White? Ou qualquer um dos vários milhões de policiais renegados que podem quebrar todas as regras porque eles fazem as coisas acontecerem? Que só consegue fazer as coisas acontecerem porque não se importam com as regras?

“Mas esses são personagens fictícios!” Ok, e quanto a todos aqueles milionários apresentadores de talk show de esquerda? Você acha que eles mantêm seus insultos com classe? Ligue em qualquer momento do programa sobre Chris Christie e comece a contar os segundos até a piada com gordos. Dê um google nos escândalos sexuais do David Letterman. Mas está tudo bem, porque eles estão do nosso lado, e todo mundo quer um idiota em sua equipe – um bastão com pregos para esmagar seus inimigos. Isso é tudo que Trump é. Os uivos de ultraje de elite são como os sons de bombas pousando na fortaleza do inimigo. Quanto mais alto, melhor.

E quando as câmeras gravarem essas elites tendo que socializar com seu suposto inimigo, tanto melhor.

Alguns de vocês já ficaram com raiva, sentiram o estômago revirar diante de qualquer tentativa de ponderar ou mesmo entender essas pessoas. Afinal, elas não são pessoas, certo? Não são elas apenas uma massa de ignorantes, raivosos, cruéis, maldizendo, cuspindo, subhumanos?

Nossa, espero que não. Eu tenho que abraçar um monte delas no Dia de Ação de Graças. E quando eu fizer, será com o conhecimento de que se eu não tivesse me afastado e ido para a cidade, eu estaria do outro lado da cerca deixando comentários desagradáveis sobre este artigo que a versão do universo alternativo de mim escreveu.

Dá uma sensação boa desconsiderar as pessoas, zombar delas, representá-las como deploráveis. Mas você pode muito bem dedicar um tempo para tentar compreendê-las, porque eu estou dizendo a você, elas ainda estarão aqui por muito tempo depois de Trump ter ido embora.

Este texto foi escrito por David Wong, Editor Executivo do site Cracked, e traduzido por Thomas Victor Conti aqui no blog.

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One Response to “Como os EUA elegeram Trump, em três filmes”

  1. Diego Quixabeira e Souza

    “Um espectro ronda os EUA, o espectro do fascismo”!!!
    Trump venceu as eleições e o mundo perdeu. Bomba atômica, xenofobia, imigrantes mortos, machismo, fascismo e tudo o que há de mais odioso na política está por vir. A vitória de Trump é diretamente proporcional a derrota do mundo capitalista. O resultado das eleições norte-americanas deixa bem claro que o casamento entre capitalismo e democracia já chegou ao fim faz muito tempo. Nossa esperança é que, com o recrudescimento dos antagonismos do capital por meio das políticas externas que Trump irá implementar, a massa dos oprimidos possa se levantar e cumprir finalmente a profecia marxista descrita há séculos no Manifesto Comunista: “Os proletários não tem nada a perder a não ser os grilhões e o mundo a ganhar. Proletários de todo o mundo uni-vos!”. No capitalismo pós-moderno, todos nós indefinidamente somos proletários. Todos somos reduzidos à insignificância mercadológica expropriadora de nossas subjetividades. Esse processo emancipatório radical só pode ser dado diante da ameaça iminente do fascismo e nisso a vitória de Trump auxilia em muito o levante e unificação da esquerda.
    Devemos fazer o exercício racional e pensar criticamente se pode um país que se diz democrático eleger Trump como presidente? É óbvio que alguma coisa está muito errada.
    Conquanto venhamos a sofrer com as políticas ignóbeis de Trump, a situação é excelente para a esquerda autêntica definir seus rumos e estratégias. Caso Hilary tivesse vencido, todos teriam contemporizado, visto que ela é nada mais nada menos do que o mesmo – o mesmo modelo neoliberal que conhecemos.
    As tempestades anunciam novos horizontes, mas isso dependerá da união da esquerda para que essa tempestade não seja um prenúncio do fim do mundo.

  Categoria: Opinião

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